Dia Nacional do Parkinson: Apesar de não ter cura, doença de Gil Gomes pode ser tratada

Problema acontece, na maioria dos casos, com pessoas acima dos 50 anos

Gil Gomes revelou, recentemente, que sofre de mal de Parkinson

Gil Gomes revelou, recentemente, que sofre de mal de Parkinson

Reprodução/Record

Tremores nas mãos e pernas, rigidez dos músculos, lentidão nos movimentos, desequilíbrio e descoordenação são alguns dos principais sintomas de quem sofre de mal de Parkinson. Apesar de ser degenerativa e não ter cura, no Dia Nacional do Parkisoniano, comemorado nesta sexta-feira (4), especialistas explicam que é possível tratar e levar uma vida normal. Só no Brasil, mais de 200 mil pessoas sofrem com esta doença. Em quantidade de casos, ela só perde para o Alzheimer.

Na maioria dos casos, a pessoa começa a manifestar os primeiros sintomas a partir dos 50 anos de idade, conforme explica o neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Segundo Flávio Sallem. A doença é neurodegenerativa, já que leva à diminuição da dopamina, que é um neurotransmissor responsável pelo sistema motor e movimentos voluntários.

— Na verdade, a doença começa anos antes dos sintomas motores aparecerem, o que torna o diagnóstico ainda mais difícil. Mas somente conseguimos descobrir a doença quando o tremor e a lentidão aparecem.

Exercícios e apoio familiar ajudam pacientes a conviver bem com o mal de Parkinson

Ao contrário do que muitos imaginam o mal de Parkinson não atinge apenas pessoas idosas. Existem casos em que disfunções no DNA em adolescentes e adultos provocam a doença. Um exemplo é o do ator Michael J. Fox, do filme De Volta para o Futuro, que foi diagnosticado com a doença aos 37 anos.

Outro famoso que recentemente revelou que sofre com o problema foi o ex-apresentador de programa policial Gil Gomes. Em entrevista ao programa Domingo Show (Record), ele afirmou que sente "falta de falar, e que agora a voz está enroscada".

Veja famosos que lutaram contra o Parkinson

Tratamento

Como não tem cura, a neurocirurgiã Alessandra Gorgulho explica que o tratamento é focado em amenizar os sintomas da doença.

— Primeiro a pessoa recebe medicamentos via oral e podemos aumentar a dose na medida em que o paciente necessita. Após os remédios perderem o efeito, recomendamos uma intervenção cirúrgica.

De acordo com Rodrigo Peres, fisioterapeuta neurológico, além do tratamento medicamentoso, os portadores do mal de Parkinson necessitam de um acompanhamento fisioterapêutico.

— O papel da fisioterapia é proporcionar ao paciente uma melhora física, a partir do objetivo de restaurar e manter as funções e incentivar a realização das atividades diárias com mais independência e qualidade de vida.

Papel da família é essencial

Segundo a fisioterapeuta da Associação Brasil Parkinson e mestre em Neurociência e Comportamento pela USP (Universidade de São Paulo), Erica Tardelli, a terapia, fisioterapia, apoio psicológico e exercícios físicos são essenciais para a qualidade de vida das pessoas que têm esta doença.

— É importante também que a família dê apoio e procure por informações e orientações para compreender melhor o quadro. Encorajá-lo diante da situação evita que ele fique com a autoestima baixa, desmotivado e depressivo.

MMA aumenta risco da doença

A prática de esportes de grande contato físico, como o MMA e outras lutas, aumenta o risco de doenças neurológicas, conforme explica o neurocirurgião do HCor Antonio De Salles. Os traumas na cabeça devido a socos e chutes podem acarretar microtraumas cerebrais, que aceleram o desgaste natural do órgão. Assim, doenças neurodegenerativas tendem a surgir precocemente.

Segundo Alessandra, o Parkinson e também o mal de Alzheimer, que também é degenerativa, dificilmente apresentam sintomas enquanto "o atleta é jovem e praticante do esporte".

— Apesar de a doença se manifestar mais em pessoas idosas, o desgaste acelerado do cérebro pelo esporte de contato pode antecipar o problema.

Um dos maiores pugilistas da história, o norte-americano Muhammad Ali sofre hoje com os tremores característicos do mal de Parkinson. Aqui no Brasil, o lutador Maguila enfrenta o mal de Alzheimer. Ambos foram expostos aos repetidos traumas das lutas de boxe.

*Colaborou: Luiz Guilherme Sanfins, estagiário do R7