Distribuição de médicos é crítica em 5 Estados, aponta IBGE

Estudo mostra que Amazonas, Acre, Amapá, Pará e Maranhão têm os menores índices de distribuição de médicos para cada 100 mil habitantes

Amazonas tinha 111 médicos para cada 100 mil habitantes

Amazonas tinha 111 médicos para cada 100 mil habitantes

Bruno Kelly/Reuters

O colapso nos sistemas de saúde em alguns dos Estados do Norte e do Nordeste com o novo coronavírus coincide com a baixa oferta de médicos, enfermeiros, leitos de UTI e respiradores, problemas que existiam antes mesmo da pandemia.

Estudo feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a partir do DataSUS (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) mostra que os Estados do Amazonas, Acre, Amapá, Pará e Maranhão apresentavam no ano passado os menores índices de distribuição de médicos para cada 100 mil habitantes entre todos os Estados do País.

Recursos necessários para o combate da covid-19, como leitos e ventiladores mecânicos, também eram baixos em diversos Estados daquelas regiões.

Com quase 10 mil casos confirmados de covid-19 e 751 mortes registradas desde o início da pandemia, o Amazonas tinha em dezembro 111 médicos para cada 100 mil habitantes. Como comparação, o Distrito Federal — que apresenta os melhores índices — possuía mais que o triplo: 338 médicos para cada 100 mil habitantes.

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A falta de profissionais também já era vista no quadro de enfermeiros. O Amazonas tinha no ano passado 102 enfermeiros para cada 100 mil habitantes, ante 198 no Distrito Federal.

Segundo o IBGE, em dezembro do ano passado o Piauí apresentava a menor oferta de leitos de UTI entre todos os Estados: apenas 7,1 para cada 100 mil habitantes. Amazonas (7,0), Acre (5,4), Amapá (5,4) e Roraima (4,1) vinham na sequência.

A pouca oferta de respiradores é outro aspecto que fica evidente. Os Estados que apresentaram os menores índices de distribuição dos aparelhos para cada 100 mil habitantes foram o Acre (16,3), Alagoas (15,2), Maranhão (13,9), Piauí (13 7) e Amapá (10,4). Novamente, o Distrito Federal era o mais bem servido, com 63 aparelhos disponíveis para cada 100 mil.

O levantamento do IBGE também aponta para regiões do interior dos Estados com maiores dificuldades de acesso a profissionais de saúde, leitos e equipamentos - e, no geral, mais uma vez a situação já era crítica no norte e nordeste.

Santarém, cidade do interior do Pará com população estimada em 786 mil habitantes, apresentava índice de apenas 58 médicos a cada 100 mil habitantes; Irecê, na Bahia, (com população de 512 mil e índice de 60) e Garanhuns, em Pernambuco, (568 mil e índice de 64) vinham na sequência.