'Doença de Crohn me fazia ir ao banheiro 25 vezes', diz paciente

Beatriz Rufini, 21, descobriu que tinha a doença em 2018; Maio Roxo alerta sobre doenças intestinais inflamatórias, como Crohn e retocolite ulcerativa 

Doença de Crohn fez Beatriz Rufini perder 12kg

Doença de Crohn fez Beatriz Rufini perder 12kg

Arquivo pessoal

"Por conta da Doença de Crohn, já cheguei a contar dias em que eu ia 25 vezes ao banheiro. Também vomitava, não conseguia comer nada e sentia muita fraqueza", afirma a paulistana Beatriz Rufini, 21.

Ela foi diagnosticada em junho do ano passado com a Doença de Crohn, uma das Doenças Inflamatórias Intestinas (DII) que relembradas no Maio Roxo. Outra doença que recebe atenção nessa campanha é a retocolite ulcerativa.

De acordo com o coloproctologista Carlos Sobrado, da SBCP (Sociedade Brasileira de Coloproctologia), ambas as doenças provocam inflamações crônicas no trato gastrointestinal, sendo que o Crohn afeta partes do trato desde a boca até o ânus, podendo causar fístulas (conexões anormais entre órgãos) e espalhar fezes para outras partes, que podem ser expelidas pela urina ou menstruação, por exemplo.

Leia também: Câncer colorretal cresce no país, embora exista exame preventivo

Já a retocolite afeta toda a porção do cólon e do reto e, progressivamente, todo o intestino grosso. O médico explica que a doença é mais superficial, afetando apenas a mucosa e a submucosa do órgão, não invadindo a parede do intestino ou causando fístulas.

Sobrado afirma que não há causa esclarecida para o surgimento desssas doenças, mas estariam relacionadas à predisposição genética, fatores ambientais, estresse, tabagismo, alterações da microbiota intestinal e alimentação industrializada e processada.

Saiba mais: Descubra como identificar os primeiros sinais de câncer colorretal

Ambas as doenças afetam homens e mulheres na mesma proporção, com incidência de 80% em pessoas dos 15 aos 40 anos. Entre os sintomas das doenças há um quadro importante de diarreia, sangue nas fezes, cólicas e dores abdominais, emagrecimento, febre, náuseas e vômitos, perda de apetite e manifestações extraintestinais, como dores articulares, problemas visuais e lesões avermelhadas na pele.

"Eu sinto muitas dores abdominais quando estou em crise. Elas parecem pontadas próximas ao umbigo. As fezes mudam, dá diarreia, enjoos, dores no corpo, fraqueza e o humor muda. Por conta do Crohn, eu emagreci 12 kg e acabei desenvolvendo problemas cardíacos", relata Beatriz.

Veja também: Perda de peso rápida e excessiva pode indicar doenças

O diagnóstico é feito por meio da história clínica do paciente, exames de sangue para detectar anemia, número de leucócitos (células de defesa do corpo), ferro, albumina e o PCR (proteína C reativa, que indica processos inflamatórios no corpo). São solicitados também exame de fezes — caoprotectina fecal, que analisa a atividade inflamatória do intestino —  e exames de imagem, como a endoscopia, enteroscopia e colonoscopia, podendo ou não ter biópsia.

Sobrado afirma que o tratamento para as DII buscam controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, o médico afirma que é importante tratar além dos sinais, buscando a cicatrização da mucosa intestinal.

Saiba mais: Colostomia interfere na autoestima, mas salva vidas, diz colostomizada

Entre os medicamentos utilizados estão os corticoides, que são utilizados na fase aguda da doença, antibióticos, anti-inflamatórios, probióticos para melhorar a flora intestinal, imunomoduladores e imunossupressores orais. 

Em casos mais graves ou em que a medicação oral não foi eficaz, é optada a terapia biológica com imunossupressão injetável, que controla e cicatriza a mucosa intestinal. Nesta classe, são utilizados três tipos de terapias: a anti-PNS, que age de maneira sistêmica e é oferecida pelo SUS, a anti-integrina, que possui ação específica no intestino grosso, e a anti-interleucina, que é utilizada apenas para o Crohn.

Leia também: Exercícios e consumo de fibras previnem volta do câncer colorretal

Beatriz chegou a fazer o tratamento por via oral, mas não foi eficiente em seu caso. Hoje, ela faz tratamento por imunoterapia injetável a cada dois meses.

Entre as principais complicações que podem ocorrer devido às doenças são a intratabilidade delas, quando elas não respondem aos tratamentos, retardo do crescimento em crianças, hemorragias, abscessos abdominais, obstrução e perfuração intestinal e, após 10 anos de doença, há uma tendência maior de o paciente ter câncer colorretal.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

Como vai seu intestino? Conheça as principais doenças inflamatórias: