Doença pode não ter sido reação à vacina, diz Universidade de Oxford

Após revisão independente, universidade anuncia que é improvável que a doença desenvolvida por uma participante seja uma reação adversa 

Os testes da vacina de Oxford chegaram a ser suspensos devido à reação adversa

Os testes da vacina de Oxford chegaram a ser suspensos devido à reação adversa

Sean Elias / Divulgação via Reuters - 18.4.2020

A reação adversa que levou à suspensão dos testes globais da vacina de Oxford contra a covid-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e a empresa farmacêutica sueca AstraZeneca, pode não estar associada ao imunizante, de acordo com um documento que descreve as informações da participante divulgado pela Universidade de Oxford nesta quarta-feira (16), segundo a Reuters.

"No ensaio atual, realizamos análises de segurança quando os voluntários nos ensaios de ChAdOx1 nCoV-19 desenvolvem sintomas neurológicos inexplicáveis, incluindo sensação alterada ou fraqueza nos membros e pausamos o estudo enquanto uma revisão de segurança ocorre", diz o documento.

"Após uma revisão independente, essas doenças foram consideradas improváveis de estarem associadas à vacina ou não há evidências suficientes para afirmar, com certeza, se essas doenças estavam ou não relacionadas à vacina. Em cada um desses casos, após considerar as informações, os revisores independentes recomendaram que as vacinações devem continuar. O monitoramento dos indivíduos afetados e de outros participantes terá continuidade", conclui o documento.

Leia também: Estudo sugere que o SARS-CoV-2 é capaz de infectar e matar linfócitos

Os testes globais da vacina de Oxford contra a covid-19 chegaram a ser suspensos no dia 6 de setembro devido a uma suposta reação adversa grave em uma participante do Reino Unido. Ela desenvolveu mielite transversa, manifestação neurológica que afeta os nervos periféricos da coluna, segundo divulgado pelo jornal britânico Financial Times.

No último sábado (12), a AstraZeneca divulgou que os testes seriam retomados. Eles voltaram a ser realizados no Reino Unido, Brasil e África do Sul, mas não ainda não Estados Unidos, que realiza uma investigação própria.

No Brasil, a Anvisa autorizou o retorno do estudo na segunda-feira (14) e a participação de mais 5 mil voluntários na terça-feira (15), dobrando o número de participantes no país.

O acréscimo de voluntários ajudará a fornecer resultados mais sólidos sobre a segurança e eficácia da vacina, afirmou a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que coordena os testes no país, em nota, na terça-feira (15).

Segundo a universidade, a Anvisa também autorizou a ampliação da faixa etária de teste da vacina para participantes maiores de 69 anos e a inclusão de dois novos Estados nos testes de Oxford, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

Já participam dos testes no Brasil São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Nesses locais, os testes tiveram início em 20 de junho. Até o momento, 4.600 voluntários foram vacinados e não houve registro de reações adversas graves, de acordo com a Unifesp.

O laboratório Bio-Manguinhos, ligado à Fundação Oswaldo Cruz, produzirá a vacina no Brasil segundo acordo firmado pelo Ministério da Saúde.

Caso seja aprovada, serão 30 milhões de doses entre dezembro e janeiro e 70 milhões no primeiro semestre de 2021. A vacina é composta por adenovírus de chimpanzés, que causa o resfriado comum, enfraquecido, e fragmentos do novo coronavírus, para estimular o corpo a produzir anticorpos.