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Saúde 'É uma doença traiçoeira', diz idoso diabético que superou a covid-19

'É uma doença traiçoeira', diz idoso diabético que superou a covid-19

Aposentado de 81 anos relata que o progresso foi lento e que chegou a pensar que entraria para as estatísticas como mais uma vítima da doença

  • Saúde | Sofia Pilagallo, do R7*

Américo saía de casa, mas adotava medidas de higiene

Américo saía de casa, mas adotava medidas de higiene

Arquivo pessoal

Aos 81 anos, o carioca aposentado Américo Souto é um sobrevivente da covid-19. Além de idoso, o ex-superintendente do departamento administrativo da Policlínica Geral do Rio de Janeiro é diabético, o que o coloca duplamente em grupo de risco.

No início de abril, Américo sentiu os primeiros sintomas da covid-19: estado febril e tosse. Dias depois, deu entrada no Hospital Rios D’Or, na Freguesia de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, onde reside com a esposa, Marly, de 80 anos. Em seguida, foi transferido para outra unidade do hospital, na Barra da Tijuca, onde ficou internado de 4 a 8 de abril.

O aposentado acompanha e controla o diebetes há 45 anos. Assim que recebeu o diagnóstico, mudou a alimentação e passou a fazer aplicações de doses de insulina. Desde então, não teve nenhuma complicação em decorrência da doença, ou qualquer outra complicação grave de saúde.

Américo não sabe como e quando contraiu a covid-19. Relata que levava uma vida normal, apesar das limitações impostas pelo regime de isolamento social, mas que tinha adotado medidas de prevenção. “Estava saindo regularmente para coisas do dia-a-dia, mas evitava aglomerações e tinha o hábito de lavar as mãos com frequência”, conta.

Ao receber o diagnóstico, comprovado por teste realizado na unidade do Hospital na Barra da Tijuca, não se desesperou. “Sou muito calmo e tenho muita fé em Deus.”

Seu quadro foi leve e estável. Apesar disso, ele alerta: “É uma doença traiçoeira. De repente, ela ataca”. Diz que começou a sentir uma melhora um dia antes de receber alta e que o processo de cura se deu de forma lenta e gradual. “Não foi uma melhora rápida. O quadro geral do paciente fica muito alterado, até por conta das medicações e de todo o estresse envolvido. A gente fica na expectativa, né? Fica se perguntando: o que vai acontecer agora?’”.

Ele confessa ter sentido medo da morte: “Achei que era uma possibilidade. Esperava pelo melhor, mas estava me preparando para o pior.”

Para ele, a fé e o apoio de sua família foram fundamentais nessa hora. “Minha família, graças a Deus, é muito unida. Tenho três filhos, todos formados e casados. Estamos sempre em contato.”

O isolamento, para ele, foi o pior aspecto de toda a situação. “É dolorido ficar longe dos filhos, da esposa e das pessoas amigas. Não chega a ser desesperador, mas é uma situação estranha.”

Agora Américo já se encontra recuperado e em casa. Segundo ele, no entanto, sua vida ainda não voltou à normalidade. “Não estou saindo de casa e isso faz falta. Também estou evitando contato direto com a família.” Apesar de estar curado, ele ainda não realizou um teste para saber se desenvolveu anticorpos da covid-19, e por isso, tem medo de infectar pessoas próximas e amigos.

Ele acaba de ganhar uma bisneta, Lara, que tem apenas 30 dias de vida, mas ainda não a conhece. “Por enquanto, só a vi pela câmera do celular. Ela é linda.”

Emocionado, Américo diz que a doença fez com que ele repensasse muitas coisas sobre a vida. “A gente pode amar mais do que ama, se dedicar mais ao outro do que se dedica e tentar ser uma pessoa melhor do que é.” A sua mensagem para a população neste momento é que as pessoas cuidem de si mesmas como se estivessem cuidando de um ente querido.

* Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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