Saúde Em São Paulo, 9 milhões estão em atraso com terceira dose da vacina contra a Covid

Em São Paulo, 9 milhões estão em atraso com terceira dose da vacina contra a Covid

Aumento do número de casos acende alerta, e especialistas dizem que é importante manter cobertura vacinal alta

Agência Estado
A alta de infecções atual é associada ao avanço da nova subvariante da Ômicron, a BQ.1

A alta de infecções atual é associada ao avanço da nova subvariante da Ômicron, a BQ.1

Domenech Castelló/EFE - 02.09.2022

Pelo menos 9 milhões de moradores do estado de São Paulo estão com a terceira dose da vacina contra a Covid-19 em atraso, segundo balanço da Secretaria da Saúde paulista. Com a nova alta do número de casos da doença na última semana, especialistas têm afirmado que a terceira e quarta injeções são a melhor forma de evitar seu avanço acelerado. Também recomendam, principalmente para grupos mais vulneráveis, retomar o uso de máscaras em lugares fechados.

O balanço do governo considera a população a partir dos 12 anos (no total, 38 milhões no estado), para quem a terceira dose já foi recomendada. Ainda conforme a pasta, há 7 milhões que poderiam tomar a quarta dose e ainda não tomaram. Para esse reforço, o Estado considera apto o público com 40 anos ou mais, embora as cidades tivessem autonomia para recomendar o complemento para um grupo mais amplo. A capital, por exemplo, aplica a quarta dose em todos os adultos.

VARIANTE BQ.1

A alta da taxa de infecções é associada ao avanço da nova subvariante da Ômicron, a BQ.1. Os cientistas ainda não sabem se essa versão do vírus é mais grave ou transmissível, mas estudos preliminares apontam maior risco de escape à proteção dada pelas vacinas — por isso é essencial buscar o reforço. "Toda vez que se deixa essa hesitação vacinal, essa lacuna de vacina, propicia uma retomada do vírus", disse ao Estadão Regiane de Paula, coordenadora do Plano Estadual de Imunização. Na capital, embora a quarta dose esteja disponível há três meses para todos os adultos, 3,7 milhões de paulistanos não buscaram os postos de saúde para receber esse reforço. Já em relação à terceria dose, esse passivo é de 2,1 milhões, informou a Secretaria Municipal de Saúde.

Para a médica Raquel Stucchi, da Sociedade Brasileira de Infectologia, é preciso "manter cobertura vacinal muito alta, superior a 90%". Os dados da prefeitura mostram que as lacunas derivam de uma adesão menor entre os mais jovens. Se considerar a terceira dose, 96% dos paulistanos com mais de 50 anos já se protegeram.

Na faixa entre 18 e 49 anos, esse número cai para 77%. Para a quarta dose, o cenário piora. Só 28% dos adultos com menos de 50 anos garantiram esse reforço, ante 70% no grupo de 50+."Não ter a vacinação atualizada é um desastre", comenta Gonzalo Vecina Neto, ex-secretário municipal de Saúde. "Vacina diminui a mortalidade. A experiência do Estado de São Paulo informa: é 26 vezes menor a probabilidade de morte com vacinação atualizada."

Na Europa, a disseminação da BQ.1 motivou uma alta no número de infectados desde setembro. "Na Alemanha, por exemplo, as hospitalizações de UTI por Covid dobraram em questão de 15, 20 dias", afirma o coordenador da Rede Análise Covid-19, Isaac Schrarstzhaupt.

MOTIVOS

Para especialistas, a baixa procura por vacina de reforço é resultado da soma de alguns fatores. O primeiro é a sensação de tranquilidade, causada pelo arrefecimento da crise sanitária, com menos infecções e mortes. "Parece que a busca pela vacina é reativa. Quando vemos países que estagnaram (a vacinação) e daí tem uma (nova) onda, percebemos que a busca pela dose aumenta de novo", analisa Schrarstzhaupt. Esse comportamento, segundo ele, é perigoso e pode levar a hospitalizações e óbitos evitáveis. "Vacina não é remédio. É preventiva."

Vecina, por sua vez, reclama da falta de campanhas. "Neste momento, não temos barulho, não temos convocação. Temos um modelo de vacinação que é campanhista. Sem campanha, sem vacinação", afirma ele, que já presidiu a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Regiane de Paula reclama do Ministério da Saúde. "Infelizmente, o Programa Nacional de Imunização está em um momento em que não tem protagonismo nenhum, delegando aos estados, principalmente, o protagonismo", diz. O Ministério da Saúde, por sua vez, falou que "reforça constantemente, por meio de campanhas de comunicação e ações divulgadas em todos os canais oficiais, a importância de completar o esquema vacinal com a dose de reforço."

CRIANÇAS

Para a pediatra Isabella Ballalai, a preocupação é a baixa taxa de imunização de crianças e adolescentes. "Para eles, sim, a cobertura de duas doses está muitíssimo baixa, com média de 40%", alerta a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

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