Saúde Entenda a cirurgia de hérnia incisional que Bolsonaro fará 

Entenda a cirurgia de hérnia incisional que Bolsonaro fará 

Especialistas dão detalhes do procedimento a que o presidente se submeterá no domingo (8), comum em pacientes com histórico de cirurgias abdominais

Entenda a cirurgia de hérnia incisional que Bolsonaro fará domingo (8)

O presidente Jair Bolsonaro fará cirurgia de hérnia incisional

O presidente Jair Bolsonaro fará cirurgia de hérnia incisional

Reprodução

No domingo (8), o presidente Jair Bolsonaro deverá ser submetido a mais uma cirurgia, desta vez para a correção de uma hérnia incisional.

"A hérnia é um buraco pelo qual sai alguma coisa, pode ser gordura, intestino. O paciente percebe como um abaulamento na barriga, uma bola. A maioria das hérnias incisionais em cortes no meio da barriga é formada em áreas que já foram cortadas anteriormente", explica o Prof. Dr. Sergio Roll, coordenador do Centro Especializado em Hérnia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

"A hérnia incisional é um defeito na parede abdominal, e por definição é aquela que aparece posterioriamente a uma cirurgia prévia. Significa que naquela região do corte houve um enfraquecimento, levou ao buraco, e ao problema. A grande maioria das hérnias incesionais apresentam risco de obstrução intestinal", escalrece o Dr. José Francisco de Mattos Farah, diretor do serviço de cirurgia geral do Hospital do Servidor Público Estadual. 

'Nasci novamente', diz Bolsonaro um ano após facada

Bolsonaro se encaixa no perfil, pois já fez três cirurgias na região desde que tomou uma facada, há um ano, durante a campanha presidencial em 2018. Trata-se, agora, de um procedimento de médio porte, que inclui anestesia geral e exige um corte na região onde está a hérnia.

"Não é uma cirurgia simplesinha. A intervenção varia muito, mas pela incisão que ele já mostrou em fotografias, há um corte de uns 20 cm, portanto a correção deve tomar o tamanho da incisão", diz o dr. Farah.


"O cirurgião identifica o buraco, verifica aquilo que está saindo e põe pra dentro da barriga", diz dr. Roll, esclarecendo que há várias técnicas para o fechamento da área.

Uma das mais utilizadas é uma prótese que se assemelha a uma tela, uma espécie de tule de polipropileno, usada para reforçar a costura da aponeneurose, a membrana esbranquiçada que reveste o músculo. Essa tela tem macroporos, é flexível e pode ter uma gramatura alta, média ou baixa. O uso da tela diminuiu a chance de a hérnia voltar.

"A colocação da prótese vai fazer com que aquele tecido se recupere, mas nunca vai ser bom, se estivesse bom não teria arrebentado", explica o dr. Farah. A tela pode ser colocada de diversas maneiras, inclusive com a utilização de vídeo, na qual são feitos só quatro pequenas incisões. Como o corte de Bolsonaro é extenso, é bem possível que o médico utilize a técnica clássica de corte da cicatriz inteira. 

As causas de insucesso também são variadas. De acordo com dr. Farah, há dois grandes grupos: ou a técnica não foi adequada ao caso, em geral a hérnia volta rápido, em um ano ou menos, ou diz respeito ao próprio paciente. Obesidade, diabétes e fumo são fatores que comprometem a qualidade do tecido.

A maior chance de voltar é entre seis meses a um ano após a correção. O índice de retorno do problema chega a 18% ao longo da vida. É algo bem comum em pessoas que passaram por múltiplas incisões na mesma região.

Segundo Sergio Roll, nos Estados Unidos são realizados cerca de 400 mil procedimentos desse tipo de hérnia por ano. A porcentagem de as pessoas que cortam a barriga desenvolverem uma hérnia incisional fica entre  9% a 20%. 

O aparecimento do problema pode ter causas diversas. Uma das principais são  cirurgias de emergência, que elevam o índice de ter hérnia para 30% a 40%. Outros fatores são obesidade, diabetes, ter doenças imunodeficiência e ser fumante.

Cuidados na recuperação

O tempo de cirurgia vai depender da complexidade de cada caso. Em geral, o paciente fica entre três e quatro dias internado e costuma ser liberado para o trabalho após 15 dias. "Durante dois ou três meses, o paciente deve usar uma faixa de velcro, que dá mais conforto. Depois disso, volta a ter uma vida normal, mas não deve carregar peso, descer rampa ou ganhar peso", explica dr. Roll.

No Brasil, de março de 2018 a março de 2019 foram realizadas 281 mil cirurgias de hérnia de uma forma geral. A mais comum é a inguinal, que aparece na virilha e é um predisposição, uma falha de colágeno. Segundo dados do Sistema Único de Saúde, no mesmo período foram realizadas 23.850 cirurgias de correção de hérnia incisional, com a que o presidente se submeterá.