Coronavírus

Saúde Entenda como funciona a vacina da Johnson, aplicada em dose única

Entenda como funciona a vacina da Johnson, aplicada em dose única

Imunizante utiliza tecnologia semelhante a da AstraZeneca e Sputnik V; uma só dose facilita campanhas públicas de vacinação

A vacina da Johnson já tem autorização para uso emergencial no Brasil

A vacina da Johnson já tem autorização para uso emergencial no Brasil

Dirk Waem/Belga/AFP - 30.04.2021

A vacina anticovid desenvolvida pelo laboratório belga Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson, é a única administrada em uma dose. O imunzante apresenta 66,9% de eficácia para proteger contra casos leves e moderados e 76,7% para casos graves.

O imunizante já recebeu da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a aprovação para uso emergencial no Brasil e pode ser aplicada em pessoas com mais de 18 anos de idade.

A pediatra Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que são os testes clínicos que definem em quantas doses um imunizante precisa ser aplicado para provocar uma resposta imunológica do organismo.

No caso da vacina da Johnson, foi verificado que com apenas uma dose ele já atingia a eficácia necessária para sua aprovação de uso, que é de no mínimo 50%, de acordo com as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde).

“Não há motivo para a escolha de vacinas, não significa que a da Johnson é melhor porque ela tem uma dose só, isso quer dizer que ela ficou equivalente às demais. Uma vacina de dose única facilita demais campanhas públicas de vacinação”, afirma a especialista.

O Ministério da Saúde negociou a compra de 38 milhões de doses da vacina, que chegariam apenas no terceiro trimestre, mas a pasta conseguiu antecipar 1,5 milhão de doses, que devem desembarcar no país nesta terça-feira (22). A expectativa era de antecipação de 3 milhões de doses, que chegariam na semana passada, mas o envio ao Brasil foi adiado.

Assim como a Sputnik V e a vacina da AstraZeneca, o imunizante da Johnson é produzido por meio da tecnologia de adenovírus humano como vetor. Neste caso, é usado um adenovírus que causa resfriado comum que, ao ser modificado para desenvolver a vacina, não se replica e não causa resfriado. Conforme descrito pela Janssen, um pedaço da proteína S do coronavírus é colocado dentro do adenovírus, que funciona como um transportador. Quando a pessoa recebe o imunizante, o corpo inicia um processo de defesa e produz anticorpos contra aquele invasor, o que cria uma memória no corpo contra o coronavírus.

No Brasil, o imunizante está na terceira e última fase de testes, com 8.822 voluntários. O laboratório responsável também recebeu a autorização para testar o imunizante em bebês, crianças, adolescentes e grávidas, segundo a Anvisa.

Em janeiro deste ano, a agência regulatória recebeu a notificação de um evento adverso grave envolvendo um voluntário dos testes, mas, segundo a Anvisa, o evento foi avaliado pelo investigador e pela companhia como não relacionado à vacina.

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