Epidemia de coronavírus: OMS declara emergência global de saúde

Desde a última reunião da organização, na semana passada, número de casos confirmados do novo vírus na China saltou de 571 para 7.711

Epidemia começou em dezembro na China

Epidemia começou em dezembro na China

Reuters

A OMS (Organização Mundial da Saúde) decidiu nesta quinta-feira (30) declarar emergência internacional de saúde devido à epidemia de um novo tipo de coronavírus que atinge a China. O país asiático já registrou quase 8.000 infectados e 170 mortes.

Casos da doença também foram registrados em 20 localidades fora da China. Não houve mortes em outros países até o momento.

Com o novo status, a agência das Nações Unidas vai padronizar as recomendações para todos os países, com o objetivo de prevenir ou reduzir a propagação transfronteiriça da doença, mas também evitando interferência desnecessária no comércio e nas viagens.

Na semana passada, o comitê da OMS havia decidido que ainda era prematuro para declarar emergência. No entanto, após a última reunião, na quinta-feira (23), o número de casos confirmados na China saltou de 571 para mais de 7.700.

Em comunicado à imprensa, nesta tarde, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a situação é "sem precedentes", mas elogiou os esforços que a China tem feito para conter a epidemia. 

Ele viajou nesta semana à China, onde se encontrou com o presidente Xi Jinping. "Eu voltei muito impressionado. Eu nunca vi na minha vida esse tipo de mobilização", afirmou, citando como exemplo a construção de um grande hospital em Wuhan em apenas dez dias.

O diretor-geral da OMS ainda ressaltou que a declaração de emergência" não é um voto de não confiança na China, pelo contrário, a OMS continua a ter confiança na capacidade da China de controlar o surto".

"Essa declaração não é porque a China não está fazendo o que pode — está até fazendo mais do que deveria fazer. Isto é para proteger especialmente países com sistemas de saúde mais fracos e prepará-los para isso."

Ele acrescentou que "a OMS não recomenda e, na verdade, se opõe a qualquer restrição a viagens e negócios em relação à China". 

Embora a OMS não tenha autoridade legal para sancionar os países, agora poderá pedir aos governos que justifiquem cientificamente quaisquer restrições de viagem ou comércio que eventualmente sejam impostos durante a emergência internacional.

"Este é o momento de fatos, não de medo; este é o momento para evidências, não rumores; este é o momento para solidariedade, não estigma", declarou Ghebreyesus.

Desde 2009, a organização declarou emergência internacional de saúde em cinco ocasiões: pandemia de gripe suína (H1N1), em 2009; ebola na África ocidental; poliomielite, em 2014; zika, em 2016; e o atual surto de ebola na República Democrática do Congo.

Casos concentrados na China

O último levantamento da OMS sobre a epidemia do novo coronavírus mostra que de 7.818 casos registrados em todo o mundo, apenas 82 ocorreram fora da China (em 18 países).

Houve até agora 170 óbitos, todos na China continental. "Os números [de casos fora da China] continuam relativamente pequenos, quando comparados aos números da China. A vasta maioria dos casos na China tem histórico de viagem com Wuhan [cidade epicentro da epidemia]", observou o presidente da OMS.

Os poucos casos de transmissão fora da China ocorreram com quem teve contato com pessoas que haviam estado na área onde a epidemia está concentrada. Foram quatro registros até agora: Alemanha, Japão, Vietnã e Estados Unidos