Epidemia de covid-19 impõe desafio para vacinação contra a gripe

Governo antecipou campanha, que terá idosos como prioridade, mas deve evitar que eles se aglomerem em filas, como prevenção do coronavírus

Idoso recebe vacina contra a gripe

Idoso recebe vacina contra a gripe

Agência Brasil

A campanha de vacinação contra a gripe foi antecipada para a próxima segunda-feira (23). Profissionais da área de saúde e idosos fazem parte do primeiro grupo a ser vacinado.

Um dos desafios será evitar aglomerações dessa população nos postos de saúde, já que pessoas acima dos 60 anos estão no grupo de risco da covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus).

Para alcançar esse objetivo, o governo do estado de São Paulo planeja fazer uma parceria com as farmácias privadas, a fim de que elas também apliquem vacinas contra a gripe e o sarampo gratuitamente.

O infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência contra o Coronavírus do governo do Estado de São Paulo, disse em entrevista coletiva na última sexta-feira (14) que a rede privada "será convidada" a oferecer a imunização.

De acordo com ele, a vacina continuará disponível nos postos do SUS "como sempre esteve". Fazer a aplicação em farmácias será uma opção a mais: "A pessoa que quiser tomar na farmácia, sem custo, vai e toma", declarou.

Essa medida, se colocada em prática, "vai mitigar boa parte dos problemas" porque os idosos são vulneráveis às duas infecções (gripe e covid-19), segundo o pneumologista Felipe Marques da Costa da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

A vacina contra a gripe não protege contra o coronavírus, mas é necessária para evitar mortes e agiliza a confirmação de casos do novo coronavírus, porque o médico vai poder descartar a influenza em pessoas imunizadas. 

Foram 3.514 óbitos notificados por síndrome respiratória aguda grave e 917 destas estavam relacionadas ao vírus da gripe, de acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, que abrange o final de 2018 até a 32ª semana de 2019. "Mas isso está subnotificado", ressalta Marques.

"Tem que vacinar contra a gripe. O idoso tem risco de evoluir pior por causa do coronavírus, porém é exatamente esse subgrupo que sofre as consequências e também pode morrer por conta do influenza [vírus da gripe]", afirma.

De acordo com ele, a preocupação este ano é duplicada: com aumento de casos de infecção pelo novo coronavírus e pelo influenza, pois a gripe é uma doença sazonal, ou seja, mais frequente em períodos frios.

"O pico de influenza acontece por volta de abril e maio e os sintomas podem ser iguais [ao do novo coronavírus]", lembra o especialista. 

Assim, se o idoso procurar o atendimento médico com sintomas respiratórios, mas já estiver vacinado contra a gripe, será mais fácil identificar um caso de covid-19.

"Por isso essa decisão de antecipar a vacina foi bastante acertada. Assim, caso o idoso procure a unidade de saúde por sintomas respiratórios, a gente já vai descartar a gripe, o que pode facilitar a detecção de um possível caso de coronavírus", observa.

O médico enfatiza que os idosos não podem deixar de se vacinar contra a gripe por medo do novo coronavírus. Entretanto, essa populção deve ter cuidados especiais.

"Se está com sintomas respiratórios, não vá ao posto de saúde. Agora, quem for não pode ter contato físico com outras pessoas, deve levar álcool gel e manter as medidas de higiene, como usar um lenço descartável ao espirrar", aconselha.

"A própria fila [para tomar vacina] não pode ocorrer, as pessoas têm que ficar a 1 m de distância umas das outras", concorda a pesquisadora e pneumologista Margareth Dalcolmo, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.

Entenda as diferenças entre o coronavírus e a gripe comum: