Novo Coronavírus

Saúde Especialistas preveem novo pico da covid-19 no Estado de São Paulo

Especialistas preveem novo pico da covid-19 no Estado de São Paulo

Alta de casos deve ocorrer em até 15 dias como consequência das festas do ano novo; variante do vírus no país gera preocupação

  • Saúde | Brenda Marques, do R7

Resumindo a Notícia

  • Repercussão do ano novo será pior que a do Natal, diz infectologista
  • Aumento de casos também é reflexo do descuido no dia a dia
  • Leitos de hospitais da capital já têm alta taxa de ocupação
  • Circulação da cepa que veio do Reino Unido preocupa
Movimentação de pessoas na praia do Perequê em Ilhabela, SP

Movimentação de pessoas na praia do Perequê em Ilhabela, SP

Agência Estado - 01.01.20

As aglomerações registradas durante o feriado prolongado de final de ano, especialmente nas praias, devem agravar a situação da pandemia no estado de São Paulo, que já tem leitos de hospitais da capital com alta taxa de ocupação.

Um novo pico de casos de covid-19 deve ocorrer entre 10 e 15 dias, de acordo com o infectologista Carlos Lazar, professor da disciplina de moléstias infecciosas na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

"Teremos a repercussão do fim de ano e será pior que a do Natal, porque nas festas de ano novo as aglomerações são muito mais intensas, com grandes grupos de pessoas que se reúnem. Não é uma festa familiar e tem o impacto de que foi em uma semana [de feriado] prolongada", compara.

A infectologista Ingrid Cotta, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que uma alta de casos já está acontecendo desde meados de outubro. "As nossas UTIs estão cheias. Já estamos vendo o aumento, principalmente em internações", destaca.

Dentre as 50 vagas de UTI que a BP reserva para tratar casos de covid-19, 37 estão ocupadas, sendo que 32 pacientes têm o diagnóstico confirmado da doença e outros 5 estão com suspeita, de acordo com nota do hospital.

A médica acrescenta que o aumento de casos já era esperado não só por causa das festas, mas também pela falta de adesão da população às medidas que previnem contra a infecção pelo coronavírus. "As pessoas vão para a rua sem máscara. O uso está sendo abolido por algumas. Mesmo ao ar livre, é preciso usá-las", observa.

Lazar enfatiza que o descuido de cada um em relação às regras para evitar o contágio interfere na segurança coletiva. "A questão da solidariedade está incluída nesse aspecto. Quando você não pensa nos seus familiares que estão no grupo de risco...As praias ficaram lotadas e isso vai se traduzir para um problema que já está ocorrendo agora", reitera.

Ambos manifestam preocupação com a nova cepa do coronavírus que surgiu no Reino Unido e pode ser até 70% mais contagiosa, segundo o governo britânico. Os especiaistas lembram que as aglomerações aceleram ainda mais sua disseminação. Na segunda-feira (4), o estado de São Paulo confirmou os dois primeiros casos da variante no Brasil.

Últimas