Coronavírus

Saúde Estudo brasileiro testa corticoide para tratar caso moderado de covid

Estudo brasileiro testa corticoide para tratar caso moderado de covid

Pesquisa vai analisar se a prednisolona reduz o tempo de internação e evitar a ida para a UTI, resultados devem sair em fevereiro de 2021

  • Saúde | Brenda Marques, do R7

Corticoide é testado em caso moderado de covid-19

Corticoide é testado em caso moderado de covid-19

Pixabay

Um estudo brasileiro que começou nesta quinta-feira (01) vai testar a eficácia do corticoide prednisolona para tratar pacientes que apresentam quadros moderados de covid-19 e precisam de internação. O objetivo principal é avaliar se o medicamento ajuda a reduzir o tempo de hospitalização e o número de pessoas que precisam ir para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

A pesquisa, liderada pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, será feita com 370 pacientes maiores de 18 anos, internados nas unidades Paulista e Vergueiro, na capiital paulista, e nos hospitais da Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André (SP).

A coleta de dados será feita por 3 meses e os resultados devem ser publicados em fevereiro de 2021.

Os participantes serão divididos em dois grupos: metade fará somente o tratamento padrão já utilizado para a covid-19 no hospital e a outra parte, além deste procedimento, receberá uma dose de prednisolona 40 mg durante sete dias.

Trata-se de uma investigação randomizada e aberta, ou seja, os participantes são escolhidos de forma aleatória e os pesquisadores sabem que tipo de tratamento cada voluntário está recebendo.

Uso de corticoides para a covid-19

Os corticoides têm efeito anti-inflamatório e são capazes de reduzir a resposta imune do organismo. Em casos graves e moderados de covid-19, o que ocorre é uma "tempestade inflamatória" causada pela reação exacerbada do sistema imunológico ao coronavírus.

Por isso, o potencial desse tipo de medicamento tem sido investigado nessas situações. Elie Fiss, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e pesquisador que coordena o estudo, recorda que houve uma mudança das autoridades de saúde em relação aos corticoides desde o início da pandemia.

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"No início, as primeiras recomendações proibiam o uso, mas o corticoide talvez seja um dos poucos que dão uma resposta favorável [no tratamento da covid-19]", pondera.

Desde o dia 2 de setembro, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda classe de medicamentos para tratar casos graves da doença causada pelo novo coronavírus.

Efeitos colaterais ocorrem a longo prazo

O estudo também vai averiguar possíveis efeitos colaterais da prednisolona. No entanto, Fiss destaca que a chance de eles ocorrerem com o uso de baizas doses em um curto período de tempo - como será feito durante as análises - são mínimas.

"Se a gente ler [sobre efeitos colaterais de corticoides] vai aparecer muita coisa, mas a maior parte acontecem pelo uso de altas doses durante muitos meses ou anos", explica.

"O que a gente conhece no dia a dia é aumento da glicemia, especialmente em diabéticos, e vermelhidão na pele. Pode aparecer um pouco de azia e queimação, mas com medicação protetora do estômago já resolve", acrescenta.

O corticoide preferido dos médicos

A prednisolona já é indicada para o tratamento de outras doenças respiratórias, como asma, rinite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

"O corticoide que nós, pneumologistas, mais usamos é a prednisolona. Ela tem o melhor efeito anti-inflamatório no pulmão, melhor até que a dexametasona", afirma.

De acordo com ele, outra vantagem do remédio, comercializado com o nome de Predsim, é que sua utilização ocorre por via oral, portanto, caso se comprove eficaz para tratar quadros moderados de covid-19, o paciente pode ter alta e continuar tomando a medicação sozinho.

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