Novo Coronavírus

Saúde Falta de remédio para covid reforça importância da vacinação

Falta de remédio para covid reforça importância da vacinação

A Anvisa aprovou no último domingo (17) o uso emergencial da CoronaVac e do imunizante da AstraZeneca no Brasil

  • Saúde | Brenda Marques, do R7

Profissional da saúde recebe vacina contra a covid-19

Profissional da saúde recebe vacina contra a covid-19

Danilo M Yoshioka/Futura Press/Estadão Conteúdo - 18.01.2021

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou neste domingo (17) o uso emergencial da CoronaVac e do imunizante da AstraZeneca/Oxford no Brasil. Esse é o primeiro passo para que o país possa vislumbrar o controle da pandemia, já que grupos mais vulneráveis à covid-19 começam a ser protegidos. Mas para que essa realidade se concretize, a adesão da população à campanha de vacinação é fundamental, afirmam especialistas.

A pediatra Mônica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) enfatiza que a imunização é a saída para reverter o cenário atual.

"Primeiro, é uma doença que está matando muita gente. Embora tenha casos leves, é uma doença de impacto enorme, tanto em mortalidade como no sistema de saúde. A gente vê o que está acontecendo em Manaus. E não tem tratamento específico, a única prevenção é a vacina, além das medidas já recomendadas desde o início da pandemia", afirma.

"A vacinação é o que a gente imagina que vai acabar ou pelo menos controlar a covid e torná-la eventual, como a gripe. A varíola, por exemplo, dizimava milhares de pessoas e só com vacinas resolvemos a situação", lembra.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu a erradicação da varíola, doença infecciosa também causada por vírus, em maio de 1980. De acordo com a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), a doença acometeu a humanidade por pelo menos 3 mil anos, matando 300 milhões de pessoas somente no século XX.

A eliminação da varíola foi possível graças a um esforço global de uma década que garantiu a aplicação de meio bilhão de vacinas por milhares de profissionais de saúde, diz a instituição.

A infectologista da Unicamp e consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) Raquel Stucchi faz coro a Mônica e comenta sobre a importância da CoronaVac.

"A vacinação é a única maneira de controlar a pandemia provocada pelo coronavírus. Não existe nenhuma medicação que possa evitar casos. Mas o principal é que temos uma vacina que diminui em 100% a chance de hospitalização. Nós vamos diminuir o número de pessoas com quadros graves [de covid], evitar mortes e desafogar o sistema de saúde", pondera.

Os resultados de fase 3 com a CoronaVac, divulgados na semana passada pelo Instituto Butantan, mostram que a vacina tem 100% de eficácia para evitar casos graves e moderados de covid-19, que são os que precisam de hospitalização.

Além disso, 77, 96% dos imunizados ficam protegidos até mesmo de casos leves, ou seja, terão sintomas, com necessidade de atendimento ambulatorial e mais da metade vai desenvolver apenas sinais muito leves da doença, sem demandar qualquer tipo de assistência médica

As especialistas destacam que é essencial tomar a segunda dose das duas vacinas autorizadas no Brasil, pois só assim é possível garantir a eficácia observada no estudos de fase 3. "A proteção só é valida para quem tomar as duas doses da vacina no intervalo recomendado pelas autoridades", explica Raquel.

"Nenhuma vacina foi avaliada em dose única. O que eles [pesquisadores] viram foi que a vacina de Oxford já tem bom efeito 22 dias após a primeira dose. Mas ninguém sabe quanto tempo dura a proteção dessa primeira dose. Você não tem esse dado com a CoronaVac", esclarece Mônica.

Segundo um porta-voz da Sinovac, farmacêutica que desenvolveu a CoronaVac, o estudo de fase 3 realizado no Brasil mostrou que o imunizante foi até 20 pontos percentuais mais eficaz em um pequeno sub-grupo de pacientes que receberam a segunda dose do fármaco com um intervalo maior, mais especificamente de três semanas.

Últimas