Faltam hoje 2.600 médicos na rede hospitalar da cidade de SP

Número real é desconhecido pela gestão Haddad; para amenizar o problema, prefeitura planeja lançar concurso público

Faltam 2.600 médicos na rede hospitalar de São Paulo. Dos 4.400 cargos existentes na Autarquia Hospitalar Municipal, apenas 1.800 estão preenchidas. Atualmente, o salário inicial é de R$ 2.400, por 20 horas semanais. O déficit se refere às 11 unidades administradas pela Prefeitura.

O número real, no entanto, é desconhecido pela gestão Haddad, que ainda não finalizou o levantamento da situação dos equipamentos comandados pelas Organizações Sociais (OSs). Ao todo, são 28 contratos em andamento, que só no ano passado consumiram R$ 1,4 bilhão. Segundo o secretário José de Filippi Júnior, a fiscalização é "praticamente inexistente".

O tamanho da fila por consultas e exames é diretamente relacionado à falta de médicos. As consultas especializadas e parte dos exames, por exigência dos conselhos de medicina, dependem da presença de um médico. Só para ultrassonografias, exame feito apenas por radiologistas, há 178 mil pessoas na espera.

Para amenizar o problema, a Prefeitura planeja lançar concurso público, mas não antes de formular um novo plano de carreira para os médicos - medida sem prazo definido.

Há quase dois meses no cargo, o ex-prefeito de Diadema tenta fazer um raio X da rede municipal. Em entrevista ontem ao Estado, Filippi Júnior disse não saber nem sequer quanto saiu do orçamento da pasta nos últimos três meses de 2012. Mas, para os próximos quatro anos, o secretário tem uma meta: dobrar o total de recursos repassados pelo governo federal. Hoje, a capital recebe cerca de R$ 1,3 bilhão ao ano - 20% do orçamento. "A partir de 2014, espero chegar aos R$ 2 bilhões", disse.

A lista de demandas inclui as principais promessas de Haddad para a saúde: a construção de três hospitais, a criação da rede Hora Certa - para realização de exames, especialidades e pequenas cirurgias - e a instalação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), para emergências.

Maquiagem

Combatida na gestão passada, a prática de inaugurar "novos equipamentos" em imóveis já existentes, após adaptações, deve continuar. É o que vai ocorrer, por exemplo, com a Hora Certa, prevista para funcionar nos prédios dos Ambulatórios de Especialidades. As cinco primeiras unidades devem ser inauguradas até agosto. Já as UPAs ocuparão a estrutura dos prontos-socorros municipais.

Para o secretário, não se trata de um "banho de loja". Filippi Júnior diz que a nova rede exigirá reformas que serão pagas pelo Ministério da Saúde e oferecerá serviços diferenciados e integrados. Para o secretário, grande parte dos problemas da rede pode ser resolvida com um trabalho de gestão. "Hoje, não há estrutura nem pessoal." Ao mesmo tempo, o secretário promete reformar os hospitais antigos, especialmente os da zona leste. Por enquanto, porém, não há recursos reservados nem projeto aprovado.