Família grande, casa pequena: como isolar um caso suspeito de covid-19

Para 11 milhões de brasileiros, que vivem em casas com mais de 3 por dormitório, isolar paciente é um desafio ainda maior. Saiba como se proteger

Para famílias grandes, garantir isolamento em espaço pequeno é desafio durante pandemia

Para famílias grandes, garantir isolamento em espaço pequeno é desafio durante pandemia

Arquivo pessoal

"Uns dormem na sala, outros dormem no quarto lá em cima. Aqui, se alguém ficar doente, não sei nem como vou fazer. É tudo muito pequeno e todo mundo junto."

Desde que foi decretada a quarentena para combater o avanço do novo coronavírus, é nesse clima de incerteza que vive a diarista Ilda Alves dos Santos, de 50 anos.

Dividindo sua moradia com um total de 12 pessoas — entre filhos e netos — na favela Carolina, zona norte de São Paulo, Ilda faz parte dos 11 milhões de brasileiros que vivem em imóveis com mais de três pessoas por dormitório, segundo IBGE.

Se para famílias como as de Ilda, seguir a orientação de isolamento é um dos maiores desafios da quarentena, reorganizar o espaço da casa para garantir privacidade a um caso suspeito da doença parece impensável.

Se alguém ficar doente, não sei nem como vou fazer. É tudo muito pequeno e todo mundo junto.
Ilda Alves dos Santos

Tire suas dúvidas e saiba como se proteger do novo coronavírus

Analisar o tamanho da casa, a frequência da limpeza e onde a pessoa com a contaminação pode ficar é a orientação de Raquel Muarrek, infectologista de Rede D'or, para casos como o da família Santos. "Se o quarto é comunitário, o ideal é que ele seja usado somente pela pessoa com suspeita e o resto dorme na sala. Sem quarto próprio, o paciente deve usar máscara de pano o tempo todo e manter uma distância de, pelo menos, um metro e meio dos outros familiares."

Para superfícies com as quais o paciente teve contato, a médica orienta o uso do álcool gel ou derivados de água sanitária diluída para a limpeza da casa. Talheres e toalha de rosto também são pontos de atenção. "Se a pessoa puder usar itens descartáveis, é melhor. Se não conseguir, o ideal é que o paciente tenham talheres próprios e que a manipulação por terceiros seja feita com luvas. "

Se a roupa de cama não pode ser trocada todos os dias, a infectologista aconselha borrifar os lençóis com álcool e, durante o dia, deixar que sequem no sol. Já as máscaras de pano, segundo Raquel, podem ser lavadas com água e sabão. O banheiro não tem discussão: "banheiro usado é banheiro limpo. A tampa da privada deve estar sempre fechada após a descarga para evitar a proliferação de partículas no ar."  Para reduzir o risco de contaminação, a orientação é que não se utilize os sapatos que foram usados na rua dentro de casa, optando por meias. 

Veja quais são os pontos de atenção em casa:

Arte R7