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Saúde Febre amarela: vírus do macaco morto do Zoo era 'importado'

Febre amarela: vírus do macaco morto do Zoo era 'importado'

Exame de sequenciamento genético revelou que vírus não era da região, mas sim da cidade de Piracaia; dado indica que ele fazia parte de tráfico de animais

Febre amarela: exame mostra que vírus de macaco morto do zoo não era da região

Macaco no Zoológico de São Paulo: vírus encontrado não é da região, mas importado

Macaco no Zoológico de São Paulo: vírus encontrado não é da região, mas importado

Arquivo Pessoal

Um exame de sequenciamento genético do vírus do macaco morto por febre amarela nos arredores do Zoológico de São Paulo, em 23 de janeiro, revelou que o tipo que o infectou não é o mesmo que ocorre na região.

O tipo de vírus é frequente na região da cidade de Piracaia, a 90 km da capital paulista. Segundo o pesquisador Renato Souza, do Instituto Adolfo Lutz, que participou do estudo, esse dado indica que houve participação humana na transmissão da doença. “Alguém deve ter levado o macaco infectado para lá.”

Ele afirma que provavelmente o macaco fazia parte do tráfico ilegal de animais. De acordo com Regiane de Paula, do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica),três dias depois da morte do macaco, a polícia federal apreendeu 100 saguis chegando a São Paulo. Ela informa que todos estão no Centro de Recuperação de Primatas do Parque Ecológico Tietê, na zona leste. 

“Alguém deve ter levado o macaco infectado para lá.”
Renato Souza, pesquisador do Instituto Adolfo Lutz

A morte do macaco nos arredores do Zoológico de São Paulo provocou, na época, não apenas o fechamento preventivo da instituição mas também de todo Parque Estadual Fontes do Ipiranga, do Jardim Botâncio e do Cientec (Parque de Ciência e Tecnologia da USP). Os 165 primatas do zoológico também foram transferidos para áreas protegidas dentro da instituição para prevenir a transmissão da doença.

O pesquisador afirma que o macaco morto nos arredores do zoológico “fugia à explicação”. “É uma área relativamente isolada”, diz.
Segundo ele, o material genético do vírus, para chegar à diversidade observada atualmente, começou a circular há pelo menos cinco anos. “Ele deve estar circulando desde 2013 e a tendência é continuar sua expansão.”

Ele diz que isso fortalece a importância da vacinação como instrumento de proteção. “Fenômenos parecidos com este do zoológico já foram observados entre São Paulo e Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O que separa o ciclo silvestre do ciclo urbano, que é a chamada zona de emergência, só pode ser evitada com a vacinação.”

De acordo com o pesquisador, o Instituto Adolfo Lutz conta com amostra de cerca de 2.500 primatas atualmente.

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