Coronavírus

Saúde Fechar escolas 'quebra cadeia de transmissão do vírus', diz médico

Fechar escolas 'quebra cadeia de transmissão do vírus', diz médico

Infectologista diz que o fato de a maioria das crianças não ter sintomas é agravante para que transmitam o vírus e destaca convivência com idosos

  • Saúde | Brenda Marques, do R7

Maioria das crianças não tem sintoma, mas pode transmitir o vírus

Maioria das crianças não tem sintoma, mas pode transmitir o vírus

Pixabay

No mundo todo foram colocadas em prática medidas de contenção para frear o avanço do novo coronavírus. Nesta terça-feira (24), o Estado de São Paulo entrou em quarentena por 15 dias. Isso significa que todos os comércios e serviços considerados não essenciais ficarão fechados, nesse período. Aí estão incluídas escolas da rede pública e particular.

Esse ato é importante porque preserva a vida e quebra a cadeia de transmissão do vírus, como explica o infectologista pediátrico Marcelo Otuska, presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

De acordo com ele, é preciso ter cautela ao considerar que as crianças não fazem parte do grupo de risco da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. "É um conceito que a gente tem que tomar cuidado. O risco de ter uma infecção grave é muito menor, mas não significa que isso não possa acontecer", pondera.

O diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, também fez um alerta nesse sentido, dias atrás. "Esta é uma doença séria. Embora a evidência que temos sugira que aqueles com mais de 60 anos correm maior risco, jovens, incluindo crianças, morreram", disse.

Otuska destaca que a maioria das crianças não tem sintomas, mas é capaz de contagiar outras pessoas mesmo nessas condições. Esse fator, na opinião dele, é um agravante para que elas espalhem o vírus.

"A criança tem avó, avô, e convivência com outras pessoas do grupo de risco. Ela pode não ter sintomas, mas transmite a doença do mesmo jeito porque é grande fonte do vírus", afirma.

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Assim, o isolamento social de quem ainda está na infância se faz necessário para evitar que o novo coronavírus se prolifere com tanta rapidez.

"Se eu consigo quebrar a cadeia de transmissão, eu reduzo o número de pacientes doentes por dia e aumento a chance dar atendimento de qualidade para os casos graves", ressalta o especialista.

Ele não concorda que o fechamento de escolas pode favorecer a contaminação de idosos por parte de crianças e adolescentes, pois diz que isso só aconteceria se o isolamento social apresentasse falhas.

"Se todo mundo da casa for isolado e a criança não estiver doente, ela não vai transmitir [o vírus] para o idoso", esclarece. "O importante é isolar. Não é porque a criança não está indo na escola que ela vai poder fazer outras coisas, como ir ao parque", completa.

Para entender a importância de manter a higiene e ficar em casa, as crianças precisam ter o exemplo dos adultos, analisa o médico. "Antigamente se faziam muitas brincadeiras e atividades lúdicas [para ensinar]. O importante é dar exemplo", aconselha.

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"Cada um de nós tem que cumprir o nosso papel na sociedade, ter solidariedade e pensar que se a gente continuar com nossa vida social, vamos contaminar outras pessoas", conclui.

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