Novo Coronavírus

Saúde Ficar em casa não é mais estratégia viável, dizem especialistas

Ficar em casa não é mais estratégia viável, dizem especialistas

Pesquisadores reconhecem que o isolamento é a melhor forma de conter o vírus, mas questões financeiras e psicológicas impedem sua prática

Agência Estado
Questões financeiras e psicológicas tornam isolamento social inviável, dizem especialistas

Questões financeiras e psicológicas tornam isolamento social inviável, dizem especialistas

Sebastião Moreira/EFE - 03.09.2020

Para especialistas, em tese, o isolamento social continua sendo a melhor forma de conter o vírus. Eles admitem, entretanto, que esta não é mais uma estratégia viável. Por questões sociais ou financeiras, uma parcela da população nunca pôde aderir à quarentena no País. Outros se negam a acatar a recomendação de cientistas e da Organização Mundial de Saúde. Quem ficou em casa também já está há tempo demais recluso.

"Psicologicamente, as pessoas começam a ficar pesadas. Esse período longo do Brasil no topo do gráfico foi cansando", afirma Marcelo Mendes Brandão, pesquisador do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) da Unicamp.

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Uma amostra desse problema, de acordo com ele, foi o aumento de casos registrados após o feriadão de 7 de setembro, quando hotéis voltaram a lotar e houve aglomerações em praias.

Um dos defensores do lockdown durante os momentos mais críticos da pandemia, Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas e coordenador da pesquisa que investiga o contingente real de infectados por covid-19 no Brasil concorda que, na prática, não faz mais sentido fechar as cidades.

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"Fazer o distanciamento social está mais difícil, as pessoas estão cansadas e precisando sair de casa, seja por questões financeiras ou por problemas de saúde mental", diz.

"O #FicaEmCasa não é mais prioridade. Hoje, a gente tem de estar preocupado em usar máscara, manter hábitos de higiene e #EviteAglomeração", acrescenta. 

Para ele, a pergunta que tem de ser feita agora é: precisávamos ter chegado a 150 mil mortos? "A resposta é não", afirma.

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