Fila de espera para transplante de órgão diminui, mas liberação de família ainda é baixa

Campanha foi lançada nesta quarta (24) em Brasília para estimular doação de órgãos

Brasil está acima da Argentina (52,8%), Uruguai (52,6%) e Chile (51,1%) no número de autorização para a doação de órgãos

Brasil está acima da Argentina (52,8%), Uruguai (52,6%) e Chile (51,1%) no número de autorização para a doação de órgãos

Fabio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil

A fila de espera para transplante de órgãos no Brasil diminuiu 42% em cinco anos. Em 2012, 43.089 pessoas aguardavam pela cirurgia. No ano passado o número caiu para 38.074. Hoje, 37.736 pacientes esperam por um órgão. Os dados foram apresentados pelo MS (Ministério da Saúde), durante o lançamento da campanha “Seja doador de órgãos e avise sua família” nesta quarta-feira (24), em Brasília.

No primeiro semestre deste ano, já foram realizados 11,4 mil transplantes ― 6.600 mil de córnea, 3.700 de órgãos sólidos e 965 de medula óssea. No ano passado, 23.457 retirada de órgãos foram feitas. Neste ano, o governo espera bater a meta de 14 doadores por milhão de habitante.

De acordo com o MS, 55,7% das famílias concordam em doar os órgãos no momento da morte dos parentes. Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, apesar de a porcentagem ser a maior entre os países latino-americanos, a adesão precisa aumentar.

― Esse número ainda é muito baixo. Por isso essa campanha tem esse potencial. Esse número já é muito maior do que o que tínhamos na década passada. Mas esse número é muito baixo e envolve muito esse processo de sensibilização.

O número de doadores efetivos de órgãos cresceu quase 90% em seis anos no Brasil, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 24, pelo Ministério da Saúde em evento de lançamento de uma campanha para incentivar a autorização da doação de órgãos de parentes que, em vida, manifestaram interesse de serem doadores. De acordo com o ministério, o número de doadores passou de 1.350 em 2008 para 2.562 em 2013, alta de 89,7%.

O Brasil está acima da Argentina (52,8%), Uruguai (52,6%) e Chile (51,1%) no número de autorização para a doação de órgãos. Por lei, no Brasil, o transplante só pode ser realizado com autorização da família do doador. Por isso, o objetivo da campanha é estimular o diálogo e aumentar a adesão das famílias à doação de órgãos.

Família expõe drama da filha com campanha por doação de órgãos

O músico Paulo Cavalcante sofreu um acidente de automóvel em 2004 e contraiu hepatite C após uma transfusão de sangue.  Depois de sete anos de espera, ele recebeu um fígado em 2010. Cavalcante acredita que ainda há muita desinformação em relação ao tema e defende que o debate é necessário para aumentar o número de transplantes no País.

― As famílias dos doares precisam se conscientizar que a velocidade entre o falecimento do doador até o transporte do órgão tem que ser muito rápido. A família é o fator mais importante da doação. Muitas vezes uma pessoa é doadora, mas a família não sabe.

Rejeição a doação de órgão na Bahia chega a 70%

O cinegrafista Santiago Andrade, morto no ano passado após ser atingido por um rojão durante manifestação no Rio de Janeiro, foi homenageado. Os rins, o fígado e as córneas de Santiago foram doados. A viúva do cinegrafista, Arlita Andrade, ressaltou a importância da discussão dentro do ambiente familiar sobre transplantes.

― Eu conversava muito com o Santiago sobre doação de órgãos. Assim que ele morreu, eu não pensei duas vezes para doar [os órgãos] apesar de todo o meu sofrimento e o da minha família. Foi uma honra muito grande para mim.

Campanha na Rede

O diretor do Facebook no Brasil, Bruno Magrani, apresentou um novo aplicativo para informar familiares e amigos de que um usuário é doador. O vocalista da banda Biquíni Cavadão, Bruno Gouveia, participou da apresentação. Para se declarar como doador de órgãos, o interessado deve acessar a página do MS no Facebook e seguir os passos indicados na ferramenta.  

Em 2012, a rede social apoiou a campanha de doação de órgãos. Segundo Magrani, quase meio milhão de pessoas se declarou como doador de órgão no Facebook.

Transporte de órgãos

No ano passado, o MS e as cinco maiores empresas aéreas do País assinaram um acordo para fazer o transporte de órgãos e tecidos em todo o território nacional. De acordo com o ministério, a quantidade de voos que transportam órgãos, equipes e insumos aumentou 136%. O número de viagens aumentou de 2.568, em 2012, para 6.064, em 2013. No primeiro semestre deste ano, foram realizados 2.672 voos para transportar órgãos.