França alerta para efeitos colaterais graves em tratamentos da covid-19

'Nenhum medicamento proporcionou prova formal de sua eficácia no tratamento ou prevenção da doença', ressaltou a vigilência sanitária francesa

Médicos atendem paciente de covid-19 em UTI em Bordeaux, na França

Médicos atendem paciente de covid-19 em UTI em Bordeaux, na França

Cristophe Petit Tesson / EFE-EPA - 30.3.2020

Autoridades de saúde da França divulgaram nesta segunda-feira (30) um alerta contra alguns dos tratamentos que estão sendo testados contra o novo coronavírus, como os que envolvem o medicamento antimalária hidroxicloroquina, após graves efeitos colaterais terem sido relatados em "cerca de 30 pessoas".

"Lembramos hoje que nenhum medicamento proporcionou prova formal de sua eficácia no tratamento ou prevenção da doença covid-19. É por isso que o uso de Plaquenil (hidroxicloroquina) ou Kaletra e seus genéricos (lopinavir e ritonavir) deve ser uma prioridade no âmbito dos testes clínicos em curso", disse a Agência Nacional de Vigilância de Medicamentos do país (ANSM).

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A entidade ressaltou que estes compostos não podem ser utilizados em automedicação ou sob prescrição médica fora dos hospitais, como havia sido exigido nesta segunda-feira pela líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen.

Essas práticas já foram observadas pelos centros regionais que monitoram o uso e recomendação de medicamentos, razão pela qual a ANSM alertou pacientes e médicos sobre os riscos, que incluem problemas cardíacos que podem exigir internação hospitalar.

Hidroxicloroquina provoca problemas cardíacos

"Este risco cardíaco pode estar potencialmente ligado à associação da hidroxicloroquina com outras moléculas, como a azitromicina, juntamente com problemas metabólicos específicos da covid-19", informou a entidade.

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Na semana passada, as autoridades de saúde francesas limitaram o uso de cloroquina apenas a pacientes em estado grave e sob supervisão médica, após um especialista em doenças infecciosas, Didier Raoult, do Hospital Universitário IHU, em Marselha, declarar que tinha testado o tratamento com cloroquina em 24 pacientes, com resultados positivos.

O governo francês frisou que o uso está sendo testado em estudos clínicos, mas lembrou que o sucesso do tratamento ainda não foi formalmente verificado.

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