Gravidez após os 40 aumenta risco de aborto, parto prematuro e diabetes

Especialistas explicam o que acontece com corpo da mulher após os 30 anos

Antes de engravidar, procure um especialista
Antes de engravidar, procure um especialista Thinkstock

Qual será a hora certa para eu ter um filho? Para muitas mulheres é difícil encontrar a resposta para essa pergunta. Afinal, hoje em dia, são inúmeros os motivos que impulsionam elas a adiarem o sonho da maternidade. Falta de estabilidade financeira, vontade de investir e subir na carreira, estudos ou até falta de um relacionamento estável são apenas alguns dos empecilhos. Porém, quem quer ser mãe, precisa ficar atenta ao tempo do corpo, já que, com o avanço da idade, torna-se não só mais difícil engravidar como também arriscado à saúde da mulher e do bebê.

Segundo dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o número de mulheres que tiveram filhos aos 35 anos ou mais subiu de 303 mil em 2004 para 354 mil em 2013, esse índice corresponde a 14,3% dos nascimentos daquele ano. Médicos ouvidos pelo R7 afirmam que essa mudança acontece especialmente nas grandes cidades, já que o público feminino tem investido na carreira antes de ter filhos.  

Sem ter como remediar, a mulher nasce com uma quantidade limitada de óvulos que reduzem em quantidade e qualidade ao longo da vida, segundo explica o ginecologista e obstetra presidente da SBRH (Sociedade Brasileira de Reprodução Humana), Mario Cavagna Neto. A própria natureza impõe dificuldades para se ter filho com mais idade, alerta o médico.

— A mulher nasce com dois milhões de óvulos. Aos 12 anos, ou seja, na primeira menstruação, a menina tem cerca de 300 a 400 mil óvulos. Todo mês há a perda de uma grande quantidade de óvulos, independentemente da mulher usar contraceptivos. Quando ela chega aos 35 anos, essa quantidade já caiu para 50 mil. Na menopausa, ela tem menos de mil óvulos.

"Ter um filho aos 45 anos faz a gente renascer", diz executiva sobre maternidade tardia

Além do declínio da fertilidade após os 30 anos, o ginecologista e responsável pelo Centro de Reprodução Humana do Hospital Sírio-Libanês, Carlos Alberto Petta, chama a atenção para os riscos de uma gravidez tardia, como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, complicações no parto, aumento da possibilidade de aborto, nascimento prematuro e alterações genéticas.

— Quanto maior a idade, aumenta o risco. A chance de aborto aos 40 anos é de 25%, já aos 44 anos pode chegar a 50%, pois o aborto também está relacionado às alterações genéticas. Além disso, após os 40 anos, sobe muito a possibilidade de a mãe ter diabetes gestacional e aumento da pressão arterial [pré-eclâmpsia]. Se a mãe tem problemas clínicos, muitas vezes, deve-se também adiantar o parto do bebê.

Em mulheres que engravidam aos 30 anos, a incidência de síndrome de Down (uma das principais alterações genéticas) é de um a cada mil nascidos. Aos 40 anos, é de um para cem nascimentos. E aos 45 anos é de um para cada 50, acrescenta o presidente da SBRH.

De uma forma geral, os riscos de a mulher ter problemas na gestação entre 20 anos e 30 anos é de 10%, avisa Petta, que também é da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo). Já na faixa etária entre 30 e 35 gira em torno de 15% e isso aumenta progressivamente, chegando aos 40 anos com 40%, diz ele.

Cresce número de mulheres que se tornam mães aos 30 anos

Filho natural a partir dos 45 é raro

Para uma gravidez espontânea não há limite de idade, mas é muito difícil uma mulher acima de 45 anos engravidar naturalmente, explica Cavagna Neto.

— Com técnicas de reprodução assistida, a gravidez com nascimento aos 45 anos ou mais é praticamente inexistente. Quando isso ocorre, certamente foi utilizada a técnica de óvulos doados de uma moça jovem fertilizado com o espermatozoide do marido.

Com óvulos doados não há limite de idade para engravidar. No entanto, a doação precisa ser anônima e a doadora não pode ser remunerada. Dessa forma, geneticamente o filho tem o DNA do marido que forneceu o espermatozoide e da doadora dos óvulos. A taxa de sucesso de fertilização in vitro até os 37 anos, em geral é muito boa. Entre 38 e 40 anos, é razoável e acima dos 40 anos é muito baixa. (Veja abaixo a arte sobre tratamentos)

— É uma raridade, mesmo com tratamento, engravidar depois dos 45 anos. Acima de 50 anos o CFM [Conselho Federal de Medicina] não permite que a mulher faça nenhum tipo de tratamento para engravidar por causa dos riscos.

Há vantagens em filhos mais tarde?

Na opinião do presidente da SBRH, não há benefícios em adiar a maternidade para depois dos 40 anos.

— Do ponto de vista biológico, não há nenhuma vantagem para a mulher. A paciente mais jovem tem mais saúde e menor incidência de doenças crônicas. Os únicos benefícios seriam realizações pessoal e profissional.

Apesar das desvantagens biológicas, Petta pondera que muitos casais que têm filhos mais tarde revelam pontos positivos dessa escolha.

— Muitos casais afirmam que, por serem pais com mais idade, aproveitam mais os filhos, já que quando se tem filho mais cedo, geralmente, as pessoas trabalham o dia todo e não veem os filhos crescendo. Com mais idade também é possível ter mais estabilidade financeira e emocional.

Faça seu planejamento

Independentemente da idade, o especialista do sírio-Libanês afirma que as mulheres que pensam em ter filhos devem se preparar, melhorando a alimentação e adotando um estilo de vida saudável.

— Devem também procurar ajuda médica, especialmente quem está entre oito e dez meses tentando engravidar e ainda não conseguiu. O importante é não perder tempo em buscar ajuda.

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, o R7 fez uma série de reportagens dedicada a elas. Veja aqui o índice completo das matérias publicadas.