Gripe requer isolamento como em casos de coronavírus

Pacientes que vão trabalhar doentes podem ocasionar surto no local de trabalho; febre é critério para determinar potencial de disseminação

Mesmo casos leves devem permanecer em casa

Mesmo casos leves devem permanecer em casa

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Pessoas contaminadas por vírus influenza (gripe) devem ficar isoladas, assim como as aquelas infectadas com o novo coronavírus (SARS-CoV2), orienta a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

Os pacientes de quadro mais grave, que precisam de internação, devem ficar em isolamento no hospital. Já os que podem ir para casa, devem ficar afastados do trabalho e outras atividades.

Rosana explica que não é possível fazer o exame para confirmar diagnóstico de todos os casos com sintomas respiratórios. Por este motivo, a presença de febre é um importante critério para determinar o afastamento.

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“Em geral, a febre é um sinal de que o vírus possui um potencial de disseminação maior de e quadros mais graves. A pessoa que vai trabalhar com síndrome gripal pode começar um surto e contaminar pessoas que possuem fatores de risco: crianças, idosos, com doenças concomitantes e etc.”

O Brasil teve em 2019 1.109 óbitos decorrentes de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) por influenza, segundo o relatório mais recente do Ministério da Saúde. A maior parte das mortes foi de pessoas com fatores de risco determinados para a doença.

“Imagine uma professora de primário que vá trabalhar gripada, que vai ficar cinco horas em contato com crianças, colocando as crianças em risco.”

Segundo a médica, muitas vezes a pessoa tem capacidade de realizar as atividades laborais, mas ainda sim pode contaminar os colegas de trabalho.

“Dependendo da atividade, vale até fazer home office como alternativa, se o empregador precisa daquele funcionário.”

Rosana explica que o vírus da influenza sempre vai ser um problema para o mundo, devido à capacidade de mutação que ele possui. “Este vírus sofre pequenas mutações anualmente e grandes a cada sete ou dez anos.”

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A campanha de vacinação contra gripe deste ano foi antecipada pelo Ministério da Saúde.

Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mesmo que a vacina não apresente eficácia contra o coronavírus, é uma forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem as influenzas na triagem e acelerarem o diagnóstico para o novo coronavírus.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Fernando Mellis