Instituto Adolfo Lutz publica sequência genética do coronavírus

Cientistas concluíram que vírus que infectou brasileiro está geneticamente mais próximo dos encontrados na Europa do que na China

Sequenciamento é o primeiro feito na América do Sul

Sequenciamento é o primeiro feito na América do Sul

Divulgação/National Institutes of Health

O Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, publicou nesta sexta-feira (28) o sequenciamento genético completo do primeiro caso o novo coronavírus SARS-CoV2 do Brasil e da América do Sul — de um paciente de 61 anos, morador de São Paulo.

"Os dados de genomas completos do SARS-CoV2 dos casos de COVID-19 [nome da doença provocada pelo vírus] são essenciais para o desenvolvimento de vacinas e de testes diagnósticos. Esses dados são importantes para a compreensão da dispersão do vírus e para detectar mutações que possam alterar a evolução da doença", afirma o instituto.

"A análise genética preliminar indica que o genoma do Brasil / SPBR1 / 2020 difere por três mutações na cepa de referência Wuhan-Hu-1. Duas dessas mutações são compartilhadas com a sua sequência mais próxima, a cepa Alemanha / BavPat1 / 2020, uma cepa recuperada de um paciente do sexo masculino pertencente a um cluster de transmissão de Munique, Baviera, Alemanha", diz um trecho do estudo.

Os cientistas brasileiros concluíram que "a sequência gerada está mais intimamente relacionada ao genoma do vírus da Europa".

"Dados adicionais da Alemanha e da Itália serão importantes para entender as origens e a dinâmica do vírus na Itália. O monitoramento contínuo de novos casos suspeitos será fundamental para monitorar novas importações de vírus no Brasil e também para identificar grupos iniciais de transmissão local no país."

O trabalho — feito em conjunto com o Instituto de Medicina Tropical da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP) e com a Universidade de Oxford, na Inglaterra — foi concluído apenas dois dias após a confirmação do diagnóstico pelo próprio Instituto Adolfo Lutz, que é o laboratório de referência do estado de São Paulo.

O primeiro caso brasileiro foi identificado na terça-feira (25) à noite. O homem havia retornado na sexta-feira anterior de uma viagem à Lombardia, no norte da Itália.

O artigo publicado pelos pesquisadores do Adolfo Lutz ressalta que na mesma data em que o brasileiro retornou a São Paulo (21 de fevereiro), onde mora, foi confirmado o primeiro caso de transmissão local do SARS-CoV2 na Lombardia.

A Itália é atualmente o país com o maior número de infecções pelo novo vírus em toda a Europa, quase 900, com 21 óbitos.