Ivermectina só pode ser vendido com receita médica, decide Anvisa

Decisão acontece após o medicamento ser amplamente divulgado como eficaz contra a covid-19, mesmo sem qualquer comprovação científica 

Medicamento é indicado para tratar piolho e sarnas

Medicamento é indicado para tratar piolho e sarnas

Eduardo Valente/Ishoot/Estadão Conteúdo

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) incluiu a ivermectina na lista de medicamentos em que é obrigatório a retenção da receita médica.

A decisão, que foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) desta quinta-feira (23), tem por objetivo evitar a compra indiscriminada da substância. 

Segundo a agência reguladora, o antiparasitário não é recomendado para a prevenção e/ou tratamento da covid-19 —doença sistêmica provocada pelo novo coronavírus, que já matou mais de 84 mil pessoas no País

“O objetivo da norma é coibir a compra indiscriminada de medicamentos que têm sido amplamente divulgados como potencialmente benéficos no combate à infecção humana pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), embora ainda não existam estudos conclusivos sobre o uso desses fármacos para o tratamento da Covid-19", diz a Anvisa por meio de nota. 

A agência, responsável pela liberação e regulamentação de remédios, afirma que "não existem medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da covid-19 no Brasil". Qualquer uso fora das indicações previstas na bula devem ser feitos sob escolha e responsabilidade do médico que prescrever.

Alguns estudos com células in vitro (em laboratório) sugerem que o remédio seria eficaz no combate ao coronavírus. No entanto, a dose necessária teria de ser muito acima da máxima, o que requer mais estudos acerca da toxicidade do medicamento.

A ivermectina entra para uma lista que já conta com remédios à base de cloroquina, hidroxicloroquina e nitazoxanida. Todas essas substâncias só podem ser comercializadas com a retenção da receita.