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Saúde Litoral de SP terá 1º verão com circulação do vírus da febre amarela

Litoral de SP terá 1º verão com circulação do vírus da febre amarela

Com cobertura vacinal abaixo da meta de 95%, o Estado de São Paulo está intensificando a campanha para evitar uma nova explosão de casos e mortes 

Banhistas em praia de Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo

Banhistas em praia de Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo

Miguel Schincariol/Governo do Estado de SP

A chegada do período mais quente do ano, quando ocorrem as férias escolares e as festas de final de ano, coincide com a época de maior risco de contrair a febre amarela.

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Com cobertura vacinal abaixo da meta de 95%, o Estado de São Paulo está intensificando a campanha para evitar uma nova explosão de casos e mortes especialmente entre as pessoas que vão para o litoral - pela primeira vez desde o aparecimento dos casos, a região terá o vírus circulando durante o verão.

"Sabíamos que ia chegar ao Litoral Norte. No verão passado, a gente já tinha a certeza de que o vírus iria chegar à Mata Atlântica e incluímos, nos 54 municípios (que passaram a ter recomendação para a vacina), todo o Litoral Norte e a Baixada Santista. A entrada se antecipou com a chegada do vírus pelo Rio de Janeiro e começou entre março e abril deste ano", relata Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde.

A preocupação da pasta e dos municípios é com a grande quantidade de pessoas que deve visitar áreas de risco e que precisa estar imunizada ao menos dez dias antes de chegar às regiões. "São locais que têm Mata Atlântica densa, ecoturismo forte e que as pessoas procuram no período de férias. O risco da febre amarela não está dentro de casa, como acontece com o Aedes aegypti, está na área de mata para quem não foi vacinado."

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No Estado, a cobertura vacinal é de 65%, mesmo com a campanha em andamento, que vacinou 8 milhões de pessoas neste ano e 7,4 milhões no ano passado. A campanha continua em todos os municípios.

A doença é transmitida por mosquitos silvestres e, neste ano, 502 pessoas contraíram o vírus no Estado (casos autóctones), das quais 175 morreram. No Litoral Norte, já foram contabilizados 14 casos com cinco mortes nos municípios de São Sebastião e Ubatuba. Já na Baixada Santista, foram quatro casos com três óbitos em Itanhaém, Peruíbe e no Guarujá. Em alguns desses municípios, a meta de vacinação já foi superada, caso de Caraguatatuba (99%) e Ubatuba (97%).

O arquiteto de inteligência de negócios Carlos Handerson Araújo Marques, de 31 anos, está com duas viagens marcadas para o final do ano e quer tomar a vacina ainda nesta semana. "Vou passar o Ano-novo em Ubatuba e estou preocupado."

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O risco de infecção ao visitar uma área de risco sem estar imunizado é real. No caso da capital, onde apenas 58,5% da população está vacinada, a maioria dos casos contabilizados neste ano foi contraída em outras localidades. "Em 2017, só tivemos casos importados. Foram pessoas que foram para áreas de risco e se contaminaram. Em 2018, no total, são 120 casos de febre amarela e 107 foram importados.

A maioria foi de pessoas que foram para Mairiporã e Atibaia", afirma a coordenadora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde Maria Lígia Nerger. Entre as pessoas que tiveram a doença neste ano, 28 morreram. No ano passado, foram 14 mortes. "A febre amarela é de circulação nos meses quentes e chuvosos, como é o verão, e a gente precisa vacinar a população antes da circulação do vírus. Existe uma preocupação maior com as pessoas que vão viajar para áreas de risco." 

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