Outubro Rosa 2018
Saúde Mais de 35% descobriram câncer de mama já avançado, mostra estudo

Mais de 35% descobriram câncer de mama já avançado, mostra estudo

Pesquisa do Instituto Oncoguia ainda revelou que 36% descobriram metástase por acaso; média de idade para diagnóstico é 37 anos e, de metástase, 40 

Mais de 30% descobriram câncer de mama já em estado avançado, diz estudo

Regiane Costa descobriu a doença tardiamente

Regiane Costa descobriu a doença tardiamente

Arquivo Pessoal

Quando a agente de saúde Regiane Costa, 40, descobriu que tinha câncer de mama, o tumor já havia se espalhado para o pulmão e os ossos. O motivo: erro de diagnóstico. “Aos 35 anos, notei uma bolinha na base do seio e fui à ginecologista. Ele pediu um ultrassom e constatou que era nódulo de gordura”, conta.

Mais de um ano depois, a bolinha havia se tornado uma ferida. No entanto, mais uma vez, a ginecologista não cogitou câncer. “Ela afirmou ser bactéria e me prescreveu corticoide”.

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Encaminhada para uma microcirurgia, uma mamografia pré-operatória revelou que a “ferida” era um tumor maligno em estágio avançado. Foram 12 sessões de quimioterapia, a retirada e reconstrução da mama e um tratamento que se prolonga até hoje.

Regiane não está sozinha. Assim como ela, mais de 35% das mulheres descobriram o câncer de mama já em estágio avançado, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira (2), pelo Instituto Oncoguia, que dá apoio a pacientes com câncer.

A média de idade para o primeiro diagnóstico é aos 37 anos, e do diagnóstico da metástase, aos 40, sendo a idade média para o câncer de mama, de maneira geral, aos 44 anos. “Ficamos impressionados ao observar, neste levantamento, a presença de doença metastática em mulheres muito novas”, afirma Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia.

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A pesquisa foi realizada com mais de 250 pacientes com câncer de mama metastático – que já espalhou para outros órgãos. O Instituto ressalta que o câncer metastático é um estágio avançado da doença. Controlar a doença e manter a qualidade de vida são as prioridades desta fase.

A maioria das mulheres que participaram do estudo não tinha histórico de câncer na família, o que poderia explicar a pouca idade no momento do diagnóstico, segundo Luciana.

Metástase é descoberta por acaso

Cerca de 36% delas descobriram a metástase por acaso, sem ter conhecimento do câncer no organismo. Mais de 60% das pacientes disseram ter metástases no osso, seguido de pulmão, fígado e cérebro, ainda de acordo com o estudo.

A pesquisa demonstrou ainda que 20% não sabe qual o seu tipo de câncer de mama. O Instituto destaca que os tumores de mama diferem entre si e isso influencia no tipo de tratamento que será realizado.

“O tumor pode variar de acordo com o tipo de receptor que ele tem. Receptores são como fechaduras específicas e somente a chave certa pode ativá-los. Há tumores que são hormônio-positivos, outros expressam uma proteína chamada HER2. E há tumores chamado de triplo negativo, que não expressam nem HER2 nem hormônios”, informa o Instituto.

Segundo Luciana, são essas informações que vão definir o tratamento adequado e proporcionar mais tempo e qualidade de vida a um paciente.

De acordo com o levantamento, 58% consideraram ter um nível razoável de conhecimento sobre o câncer. No entanto, Luciana questiona a qualidade dessas informações. “Em tempos de fake news, é fundamental procurar fontes confiáveis de notícias e evitar disseminar conteúdo de origem duvidosa, sem comprovação científica”, afirma.

Cerca de 40% queixaram-se de perda de qualidade de vida após descobrirem o câncer. A própria doença e o tratamento podem apresentar uma série de efeitos colaterais. Isso somado ao tratamento periódico para o resto da vida podem explicar, de acordo com Luciana, por que 78% das pacientes terem respondido que não trabalham.

No momento do diagnóstico, cerca de 80% dessas pacientes estavam trabalhando. Um quarto dessas mulheres está aposentada pelo INSS.

Regiane é uma delas. Atualmente, vai iniciar tratamento para combater metástases no fígado. Apesar de algumas limitações, como restrição a grandes esforços físicos e perda de mobilidade da perna esquerda, ela conta que vive normalmente – é mãe de três filhos.

“Não sei qual a razão da doença. Não tenho histórico familiar, nunca fumei nem bebi e sempre fui bem ativa. Hoje tenho uma vida ‘quase normal’. É possível conviver com o câncer. Dá para ser feliz. Faço valer cada dia que conquisto”, afirma.

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