Novo Coronavírus

Saúde Máscara reduz em 6 vezes risco de aluno contrair covid-19 na escola

Máscara reduz em 6 vezes risco de aluno contrair covid-19 na escola

Estudantes, em silêncio, levariam 8h até a infecção em sala com 20 pessoas, ventilação natural e distância de 1,8m de colegas

  • Saúde | Do R7

Aulas foram retomadas no Estado de São Paulo

Aulas foram retomadas no Estado de São Paulo

Rogério Galasse/Futura Press/Estadão Conteúdo - 15.4.2021

Um estudo feito nos Estados Unidos, mostra que o risco de infecção de alunos pelo novo coronavírus, em sala em caso de aulas presenciais, é substancialmente reduzido se todos usarem máscaras e respeitarem as regras de distanciamento social.

A pesquisa, encabeçada por Martin Bazant e John M. Bush, dos departamentos de Engenharia Química e de Matemática do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets), mostra que o risco de pegar covid-19 é 6 vezes maior se os estudantes não estiverem com a máscara, ainda que seja de pano.

Além do distanciamento, o estudo leva em conta o número de pessoas em sala de aula; o tipo de ventilação das classes, o que interfere na dispersão de gotículas de ar; e o tempo de exposição dentro do ambiente, que costuma ser fechado.

De acordo com a pesquisa, em uma sala de aula típica dos Estados Unidos, com 19 alunos e 1 professor, todos sem máscaras e em silêncio total, é possível permanecer longe de uma infecção pelo coronavírus por 1,2 hora (1 hora e 12 minutos) no caso de ventilação natural de janelas e portas. Caso haja ventilação mecânica, seria possível ficar longe do vírus por até 7,2 horas (7 horas e 12 minutos).

Em caso de uso de máscaras, ainda que seja a de tecido, por todas as pessoas da classe, o tempo de segurança sobe para 8h com ventilação natural - portanto, um período 6,6 vezes maior. Se a sala tiver ventilação mecânica, uma espécie de exaustou, o tempo de proteção sobe para 80h - tempo 11 vezes maior do que na primeira hipótese, com todos os alunos sem máscaras.

A dupla partiu da premissa que um dos principais fatores de transmissão da covid-19 é o contato com as minúsculas gotículas que transportam o SARS-CoV-2 pelo ar, normalmente liberadas quando falamos, tossimos, espirramos, cantamos e comemos. 

O resultado da pesquisa vai ser publicado na edição de abril do PNAS, publicação oficial Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

A conclusão dos professores do MIT foi de que, com o período comum de aulas nos Estados Unidos, de 6 horas por dia, as transmissões seriam raras com uso de máscaras e ventilação adequada em um grupo escolar formado por até 20 pessoas. No caso do Brasil, é comum as salas de aula terem 40 pessoas por classe.

Outra condição seria o silêncio total dos alunos, o que praticamente impossível numa sala de aula em qualquer lugar do mundo.

Os pesquisadores desenvolveram um sistema, disponível online e também em português, no qual as pessoas podem usar, colocando dados do ambiente e ventilação, para descobrir qual é o tempo de segurança do ambiente.

O estudo oferece uma diretriz detalhada com base em cálculos para formuladores de políticas públicas, e atende ainda a empresas, escolas e indivíduos que tentam avaliar seus próprios riscos em determinados ambientes.

“Quando você olha para esta diretriz para limitar o tempo de exposição cumulativa, ela considera todos os parâmetros que você acha que deveriam estar lá - o número de pessoas, o tempo gasto no espaço, o volume do espaço, a taxa de ar-condicionado e assim por diante. Todas essas coisas são meio intuitivas, mas é bom vê-las aparecer em uma única equação", explicou John M. Bush, um dos professores responsáveis pelo estudo.

Quem se interessar em saber a segurança dos ambientes escolares pode clicar aqui e ver como funciona.  

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