Novo Coronavírus

Saúde Médicos comentam mensagem de WhatsApp sobre risco da covid-19

Médicos comentam mensagem de WhatsApp sobre risco da covid-19

Atribuídas ao CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), dos EUA, informações avaliam perigo de contágio em trabalho, banheiro e festas

  • Saúde | Nayara Fernandes, do R7

Mensagem enumera níveis de risco de contaminação de acordo com atividades

Mensagem enumera níveis de risco de contaminação de acordo com atividades

Pixabay

Na última semana, circulou entre grupos de WhatsApp uma mensagem de que o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) do governo dos Estados Unidos havia oficializado informações sobre o nível de risco de contaminação do coronavírus para diversas atividades. O alerta, que avaliava o grau de perigo para o local de trabalho, festas e banheiros, foi analisado por dois infectologistas consultados pelo R7 para checar a veracidade da corrente.

Uma consulta ao site do CDC confirmou que as informações não foram oficializadas pelo órgão, mas também não são totalmente falsas. A maioria das orientações foi encontrada no blog de um imunologista norte-americano chamado Erin Bromage, que é professor da University of Massachusetts Darthmouth, uma das universidades mais conceituadas dos Estados Unidos.

Prints mostram suposta mensagem do CDC que circulam por WhatsApp

Prints mostram suposta mensagem do CDC que circulam por WhatsApp

Reprodução

No artigo de Bromage, foram encontradas informações à respeito da carga de partículas virais que podem ser inaladas com segurança. De acordo com a corrente, a carga necessária para se infectar com a doença é de 1.000 partículas virais. Veja o que o autor do artigo tem a dizer sobre isso.

“Se uma pessoa tosse ou espirra,  200.000.000 de partículas virais vão para todo lugar. Alguns vírus pairam no ar, outros caem em superfícies, a maioria cai no chão. Portanto, se você estiver cara a cara com uma pessoa, conversando e ela espirrar ou tossir diretamente para você, é muito fácil ver como é possível inalar 1.000 partículas de vírus e ser infectado.”

Adilson Westheimer, coordenador do departamento científico de infectologia da Associação Paulista de Medicina, explica que a informação não é precisa.

“O importante é saber que o coronavírus é transmitido por gotículas e aerossóis: quando a pessoa infectada fala, espirra ou tosse, ela lança partículas no ar e evidentemente pode contaminar outros. De fato, a quantidade de eliminação do vírus é menor para pessoas pré-sintomáticas”, explica o infectologista.

“A maioria dos testes para diagnóstico são qualitativos. O que sabemos é que pacientes sintomáticos transmitem mais devido a ter maior carga viral. Entretanto não temos testes de rotina para quantificar a carga viral. Os testes detectam o vírus ou não. Isso é suficiente para o diagnóstico e medidas de prevenção e manejo clínico.”

Locais de transmissão e níveis de risco

Quando o autor da mensagem compara o risco de transmissão do vírus de acordo com cada local, ele novamente se baseia no artigo de Bromage, que aponta banheiros como um dos principais lugares de contaminação.

“Os banheiros têm muitas superfícies de toque alto, maçanetas, torneiras, portas de boxe. Portanto, o risco de transferência de fomento nesse ambiente pode ser alto. Ainda não sabemos se uma pessoa libera material infeccioso nas fezes ou apenas vírus fragmentados, mas sabemos que a descarga do banheiro aerossoliza muitas gotículas. Trate os banheiros públicos com cuidado extra (superfície e ar), até sabermos mais sobre o risco.

A informação está correta, segundo a infectologista Rosana Richtmann, doutora em Medicina pela Universidade de Freiburg, Alemanha.

“Muito mais importante do que a transmissão por meio de superfícies contaminadas, é a transmissão de contato entre as pessoas e aerossóis. Um dos fatores muito importantes se dá entre o distanciamento, tempo de exposição, ambiente e tipo de atividade: se eu falar, respirar, tossir ou espirrar a quantidade de partículas liberadas vai ser, de fato maior. Para estabelecemos esses riscos, os parâmetros citados serão importantes.”

Reprodução

Leia a mensagem na íntegra:

O Center Disease for Control do governo dos EUA oficializou as evidências cienntíficas sobre a transmissão do coronavírus:

1. Risco muito baixo de transmissão a partir de superfícies.
2. Risco muito baixo de atividades ao ar livre.
3. Risco muito alto de reuniões em espaços fechados, como escritórios, locais para cultos religiosos, salas de cinema ou teatros.

Outros dados interessantes, a carga viral necessária para iniciar a doença é ~ 1000 partículas virais (vp).

1. Respiração: ~ 20 vp / minuto
2. Fala: ~ 200 vp / minuto
3. Tosse: ~ 200 milhões de vp (o suficiente pode permanecer no ar por horas em um ambiente mal ventilado)
4. Espirro: ~ 200 milhões vp
5. Estar próximo de alguém (com ~ 2m de distância): baixo risco se o limite for inferior a 45 minutos
6. Conversando com alguém frente a frente (com máscara): baixo risco se o limite for inferior a 4 minutos
7. Alguém passando por você andando / correndo / andando de bicicleta: baixo risco
8. Espaços bem ventilados, com distanciamento: baixo risco
9. Compras: risco médio (pode reduzir para baixo, limitando o tempo e seguindo a higiene)
10. Espaços internos: alto risco
11. Banheiros públicos / Áreas comuns: Alto risco de fômites / transferência de superfície
12. Restaurantes: alto risco (pode reduzir a médio risco sentando-se ao ar livre com distanciamento e percepção do toque na superfície)
13. Locais de trabalho / escolas (mesmo com distanciamento social): risco muito alto, incluindo alto risco de transferência de fômites
14. Festas / Casamentos: risco muito alto
15. Redes de negócios /conferências: risco muito alto
16. Arenas / Concertos / Cinemas: risco muito alto


Os fatores principais que você pode usar para calcular seu risco são:


1. interior vs exterior
2. espaços estreitos versus espaços amplos e ventilados
3. alta densidade de pessoas vs baixa densidade
4. exposição mais longa vs exposição breve

Saiba o que é mito e o que é verdade sobre o novo cornavírus:

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