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Saúde Morte de macacos confirma febre amarela como endêmica em SP

Morte de macacos confirma febre amarela como endêmica em SP

Três bugios morreram em Caraguatatuba comprovando a disseminação da doença na Mata Atlântica, que passa a ter mesmo risco da Amazônia

Febre amarela passa a ser endêmica em SP assim Amazônia

O macaco bugio é uma das principais vítimas da febre amarela

O macaco bugio é uma das principais vítimas da febre amarela

Amanda Perobelli/Estadão Conteúdo

A febre amarela passa a ser considerada endêmica no Estado de São Paulo, assim como é na Amazônia, segundo Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde. “A doença já está disseminada em toda a área de Mata Atlântica”, explica.

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo divulgou esta semana a confirmação da morte de três macacos bugios em decorrência da doença pelo Instituto Adolfo Lutz na região do Horto no Parque Estadual da Serra do Mar em Caraguatatuba, litoral Norte de São Paulo. Outros seis animais mortos estão em análise.

O parque permanece aberto com o aviso de área de circulação de febre amarela. “Os visitantes devem se vacinar dez dias antes de frequentar o parque”, orienta.

Neste ano, 253 macacos morreram no Estado de febre amarela. Já em humanos, foram registrados 498 casos e 176 mortes até o momento. Segundo Regiane, ainda restam 16 milhões de pessoas a serem vacinadas.

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Em Caraguatatuba, 86% da população está vacinada, segundo a diretora, o que é considerado um parâmetro seguro. “Consideramos cobertura vacinal ideal aquela acima de 85%”, afirma.

Mesmo assim, a morte dos macacos, tidos como sentinela da doença, serve como alerta de que a febre amarela continua latente no Estado. “Desde o primeiro caso da doença em 2016 não deixamos de monitorá-la, desenvolvendo um trabalho contínuo, inclusive no período frio considerado de baixa ocorrência, quando há diminuição da quantidade de vetor”.

A diretora afirma que a morte dos macacos confirma a previsão da Secretaria de que a febre amarela se movimentaria em direção à Baixada Santista, litoral Norte e Vale do Paraíba. O próximo passo é sua disseminação na Mata Atlântica, o que já vem ocorrendo, segundo ela.

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Segundo ela, não há como prever se haverá uma nova epidemia de febre amarela no próximo verão. A orientação é intensificar a vacinação para que isso não aconteça. “Apesar do fim da campanha de vacinação fracionada, a vacina contra a febre amarela continua disponível em todas as UBS, agora em doses plenas”, afirma.

Regiane ressalta que, conforme recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde), se mantém a necessidade de apenas uma dose para toda a vida.

Macacos, vítimas e aliados contra a febre amarela: