'Navegando às cegas', diz Teich sobre falta de informações da covid

Ministro da Saúde afirmou, ao Senado, que sem conhecimento suficiente da pandemia, distanciamento social é a única alternativa a ser feita

Teich foi convidado a participar de sessão do Senado nesta quarta-feira

Teich foi convidado a participar de sessão do Senado nesta quarta-feira

Leopoldo Silvao/Agência Senado

O ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou que o distanciamento social é a medida necessária quando não se tem informações suficientes sobre uma pandemia, como é o caso da causada pelo coronavírus.

Ele participou nesta quarta-feira (29) de uma sessão virtual do Senado Federal para prestar esclarecimentos sobre o trabalho do Ministério da Saúde no combate à covid-19.

"Quando eu falo que falta informação, a gente não sabe qual é o percentual da sociedade que está comprometido pela doença, porque você tem os assintomáticos, o grosso das pessoas não tem sintomas ou tem sintomas leves. Você não sabe se essas pessoas transmitem tanto quanto aquelas que estão mais graves. Os testes que a gente faz não permitem hoje saber a realidade", afirmou ao ser questionado pela senadora Rose de Freitas (Podemos-ES), autora do requerimento que o convidou.

Em seguida, Teich complementou que "sem esse conhecimento, você, literalmente, está navegando às cegas".

"A medida de um isolamento que radicaliza o distanciamento, ele é necessário por quê? Porque você não sabe o que fazer."

Segundo o ministro, que está no cargo há 13 dias, a medida "radical" é o que se faz há cem anos, desde a gripe espanhola. "É interessante que cem anos depois da gripe espanhola, você está tendo o mesmo tipo de comportamento."

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Ministério vai apresentar recomendações para isolamento

O ministro voltou a falar que a pasta irá apresentar a governadores e prefeitos diretrizes personalizadas para o distanciamento social de acordo com cada região do Brasil.

"O isolamento é uma ferramenta. Ele é bem-usado ou mal-usado. O que na prática a gente vai discutir quando a gente cria uma diretriz é, definir para cada tipo de situação, se deve ficar em casa ou não, porque tem pessoas que fazem atividades críticas que não vão poder ficar em casa."

Teich não quis manifestar um posicionamento único sobre o distanciamento social.

"Você simplesmente perguntar se fica em casa, se não fica em casa... é simples demais, é uma resposta simplista para um problema que é extremamente heterogêneo."

"Orientação desde o começo é o distanciamento"

Ministro defende isolamento 'personalizado' por região

Ministro defende isolamento 'personalizado' por região

Leopoldo Silvao/Agência Senado

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) cobrou um posicionamento mais firme do ministro sobre as medidas de distanciamento social.

"Com todo o respeito ao conhecimento à reputação de vossa excelência, estou tremendamente frustrado em relação às respostas que vossa excelência deu até o momento. [...] Não há momento para indecisão. Precisa ser claro e passar para o país uma mensagem clara, da autoridade máxima do Ministério da Saúde. Isolamento social, sim ou não? Se é por região, quais as regiões que têm e quais as regiões que não têm?"

Ele ainda ressaltou que o Brasil está entre os países com maior número de mortes em um único dia.

"De um momento para cá — e pode coincidir ou não com o momento que vossa excelência assumiu o Ministério da Saúde — o distanciamento social caiu dramaticamente no país. E ao mesmo tempo, nós estamos agora no momento de início dessa explosão de casos e de óbitos."

O ministro respondeu que nunca houve mudança da "orientação original de manter o distanciamento".

"Essa orientação vem sendo mantida, e onde a gente está vendo uma alteração em relação a isso, é uma decisão dos governadores. Nossa orientação desde o começo é o distanciamento."

Antes disso, a senadora Katia Abreu (PDT-TO) também exigiu planos concretos em relação aos locais para onde está prevista uma eventual flexibilização das medidas.

"Se o senhor vai fazer o não isolamento, qual é a sua capacidade de respirador, e de ventiladores e UTIs no país? O senhor tem que nos dar conta de nos responder sobre isso. O senhor disse que o isolamento é coisa de quem não sabe o que fazer e que há cem anos estamos fazendo a mesma coisa. O senhor sabe o que fazer? Se o senhor também não sabe, vamos seguir com o isolamento."