Novembro Azul
Saúde Novembro Azul: machismo e vergonha atrasam diagnóstico precoce do câncer de próstata

Novembro Azul: machismo e vergonha atrasam diagnóstico precoce do câncer de próstata

Especialistas alertam sobre importância do exame a partir dos 40 anos 

Novembro Azul: machismo e vergonha atrasam diagnóstico precoce do câncer de próstata

Medo e vergonha atrasam diagnóstico de câncer de próstata

Medo e vergonha atrasam diagnóstico de câncer de próstata

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No mês de conscientização sobre o câncer de próstata, conhecido como Novembro Azul, o cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor de Urologia do hospital A.C.Camargo, alerta que o diagnóstico precoce garante a cura.

— Ao contrário das mulheres, os homens não costumam procurar o médico com regularidade. O cenário complica ainda mais quando a visita é para fazer o exame de toque, por puro machismo ou vergonha. O problema é que isso tudo pode atrasar o diagnóstico do câncer e, consequentemente, as chances de cura.

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De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de próstata é o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. O uro-oncologista Homero Oliveira de Arruda, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), avisa que o pico de ocorrência da doença acontece a partir dos 60 anos.

— É uma doença típica do envelhecimento masculino, ou seja, num time de futebol dois vão ter câncer de próstata no futuro. Além disso, vale destacar que homens obesos têm mais chances de apresentar o problema.

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Além de idade avançada e do excesso de peso, Arruda acrescenta que histórico familiar, sedentarismo e dieta rica em gorduras e açúcares são outros fatores que contribuem para o surgimento do câncer.

— Por isso, a importância de manter um estilo de vida saudável e fazer check-up da próstata a partir dos 40 anos. Caso o homem tenha histórico familiar, os exames devem ser iniciados cinco anos mais cedo.

Quase metade dos homens brasileiros não faz exame de próstata

Arruda alerta que o câncer de próstata não apresenta sintomas e, muitas vezes, é confundido com uma doença muito comum nos homens chamada hiperplasia benigna da próstata.

— Alterações na próstata podem causar dificuldade para urinar e é comum os homens associarem isso com o câncer. Mas, geralmente, é hiperplasia benigna, que ocorre em quase cinco homens para cada seis.

O médico reforça que a biópsia é o único procedimento capaz de confirmar a presença de um câncer.

Tratamento nem sempre exige quimioterapia

Um levantamento realizado pelo Núcleo de Urologia do A.C.Camargo com quase 3.000 pacientes revela que 7,7 entre 10 homens descobrem o câncer de próstata na fase inicial da doença. De acordo com Guimarães, isso representa a possibilidade de o paciente se submeter a terapias menos complexas e apresentar menor risco para o desenvolvimento de metástase.

— Cirurgia, radioterapia e terapia hormonal são as opções mais comuns para tratar o câncer de próstata. A quimioterapia pode ser usada em alguns casos, especialmente em estágios mais avançados. Por isso, é mais difícil ver um homem careca em tratamento de câncer de próstata.

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino que produz 70% do sêmen — líquido espesso que protege e nutre os espermatozoides. Os principais efeitos colaterais do tratamento são incontinência urinária (perda do controle da bexiga) e impotência sexual, conforme explica Arruda.

— O maior receio dos homens com câncer de próstata é a disfunção erétil, mas isso acontece em menos da metade dos casos e, se ocorrer, tem tratamento.

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Segundo o Inca, o câncer de próstata é a segunda causa de morte por câncer entre homens brasileiros, ficando atrás apenas do câncer de pulmão.