Número de mortes por covid-19 na França foi maior entre imigrantes

Relatório aponta que mais afetados são imigrantes da África e Ásia, porém pessoas vindas de outros locais da Europa foram afetados também

Estudo indica aumento nas mortes em comparação ao mesmo período em 2019

Estudo indica aumento nas mortes em comparação ao mesmo período em 2019

Thibault Vandermersch / EFE - EPA - 16.4.2020

O registro de mortes por covid-19 na França nos meses de março e abril — os mais graves da crise sanitária — foi mais acentuado entre as pessoas nascidas em outros países, principalmente na África e na Ásia.

Em um relatório publicado nesta terça-feira, o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (Insee) explica que o número de mortes nesses dois meses foi globalmente 25% superior do que observado no mesmo período do ano passado (129 mil em comparação a 102,8 mil).

Mas enquanto o aumento em relação a 2019 foi de 22% para os nascidos na França, o crescimento foi de 48% para os originários do exterior (que representavam 15% das mortes) e com muitas diferenças dependendo do país.

O aumento foi de 54% para os nascidos nos países do Magrebe, 114% para os do resto da África e 91% para os nascidos na Ásia.

O aumento foi muito mais moderado para pessoas da Espanha, Itália e Portugal (26%), para pessoas do resto da Europa (27%) ou para pessoas do continente americano e Oceania (25%).

Com relação às razões dessas diferenças, o Insee o vincula primeiro às condições de vida dessas pessoas, principalmente em termos de moradia, uso de transporte público e profissões que exercem.

Nesse sentido, declarou que as pessoas nascidas na África estão entre as mais expostas a serem contaminadas por seu trabalho, entre as que viviam em casas menores e entre as que mais utilizavam transporte público.