O que é a curva de contágio e por que comparar países exige cuidado

Comportamento da curva depende da fase de transmissão do vírus em que cada país se encontra; isolamento social pode levar ao achatamento

Mulheres usam máscara para evitar contágio por coronavírus no Irã

Mulheres usam máscara para evitar contágio por coronavírus no Irã

Abedin Taherkenareh / EFE-EPA - 22.2.2020

A curva de contágio de um vírus indica o número de novas pessoas infectadas em um determinado período de tempo. Ela varia conforme a fase de transmissão em que cada país se encontra e fazer comparações requer cuidado, pois cada um tem suas particularidades, como densidade demográfica e condições socioeconômicas.

Para que a curva exista é necessário ter um transmissor do agente causador de doenças e uma pessoa suscetível a elas.

"Em um primeiro momento, quando o vírus é introduzido, ele vai vir de uma pessoa - por exemplo, um viajante - que trouxe o vírus para cá, então, não vamos ter nenhum caso nosso. São casos importados", explica o infectologista João Prats, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O primeiro caso de coronavírus no Brasil foi de um homem de 61 anos que mora em São Paulo e viajou para a Itália a trabalho. O registro aconteceu no dia 26 de feveireiro.

Na segunda fase há transmissão local do vírus, ou seja, as pessoas se contaminam em seu próprios países. Mesmo assim, ainda é possível identificar quem foi a fonte de contágio. "Nessa etapa a curva começa a subir de uma maneira mais rápida", diz o especialista.

A terceira fase é de transmissão comunitária, quando existem pessoas com o vírus, mas não é possível saber quem o transmitiu para elas. "A gente tem uma doença nova e todo mundo é suscetível. Uma pessoa pode passar a infectar outras 5, 6, 7. Assim a curva fica exponencial", explica Prats.

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De acordo com ele, a curva muda conforme a capacidade que um indivíduo tem de infectar outros. Ela vai ficar cada vez mais elevada e depois irá se estabilizar em algum momento.

Existem diversos fatores que podem influenciar no comportamento da curva de contágio. O isolamento social, a identificação de pessoas doentes e a imunidade de quem já pegou o vírus uma vez são aspectos que podem achatá-la.

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A estabilidade pode acontecer, por exemplo, quando uma vacina for criada para o novo coronavírus. "Chega o momento em que todo mundo é vacinado. Assim, uma pessoa passa a infectar menos pessoas, até que a doença acabe", esclarece.

O infectologista destaca que é preciso ter cautela ao comparar a curva de contágio de cada país, pois eles têm características únicas.

"O Brasil é um país continental, um estado [da federação] equivale a um país da Europa. Além disso, os modelos que se usam para comparação não levam em conta o impacto social e econômico, as políticas públicas de cada governo", explica.

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