Saúde OMS: África é responsável por 46% dos casos da variante Ômicron

OMS: África é responsável por 46% dos casos da variante Ômicron

Apesar da constatação, entidade ressalta que restrições a viajantes do sul do continente ainda são injustificáveis

Agência EFE
África do Sul entrou na lista de países restritos ao redor do mundo

África do Sul entrou na lista de países restritos ao redor do mundo

Phill Magakoe /AFP - 27.11.2021

A África concentra 46% dos quase 1.000 casos da nova variante Ômicron da Covid-19 detectados em países ao redor do mundo, mas as restrições de viagens impostas às nações do sul do continente permanecem sem justificativa, diz a OMS (Organização Mundial da Saúde).

"Com a Ômicron presente em cerca de 60 países em todo o mundo, as proibições de viagens que afetam principalmente os países africanos são difíceis de justificar", disse a diretora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, em comunicado divulgado nesta quinta-feira (9).

Até agora, a variante foi registrada em 11 países africanos, incluindo a Tunísia, no norte, Nigéria, Gana e Senegal, no oeste, Uganda e Moçambique, no leste, e Zâmbia, Zimbábue, Botsuana, Namíbia e África do Sul, no sul.

Ontem à noite, Serra Leoa foi adicionada a essa lista, confirmando seu primeiro caso de Ômicron em um viajante que chegou da Nigéria, no dia 25 de novembro, o mesmo dia em que cientistas e autoridades sul-africanas anunciaram a detecção da variante, caracterizada por um elevado número de mutações.

As proibições impostas por países de todo o mundo, porém, afetaram países africanos onde a presença da variante ainda nem sequer foi registrada.

A União Africana (UA) já reivindicou na última terça a retirada dessas medidas porque "as evidências atuais, que sublinharam a propagação (da Ômicron) em todo o mundo (...), não dão suporte às proibições seletivas de viagens impostas aos países do sul da África".

DIFICULDADES PARA VACINAR

Por outro lado, a chegada de vacinas ao continente se acelerou nas últimas semanas, embora a África ainda esteja atrasada em relação ao mundo, com apenas 7,8% de sua população — cerca de 1,3 bilhão de pessoas — tendo recebido a dosagem completa de vacinação.

"Passamos de uma situação em que recebíamos entre 2 e 3 milhões de doses semanais para uma situação em que recebemos 20 milhões semanais", comemorou hoje, em entrevista coletiva virtual, o coordenador do Programa de Desenvolvimento de Vacinas de Imunização e Saúde da OMS para a África, Richard Mihigo.

No entanto, alguns países têm dificuldade em absorver as doses recebidas e implantar suas campanhas de imunização, como a República Democrática do Congo, que recebeu cerca de 4 milhões de doses, mas aplicou menos de 190 mil, segundo os últimos dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (CDC África, que está sob a responsabilidade da UA).

Nesse sentido, 23 do total de 54 nações soberanas do continente usaram apenas entre 50% e 79% das doses recebidas, enquanto 27 países já aplicaram mais de 80% e apenas dois administraram menos da metade.

Segundo Mihigo, o principal problema que os países enfrentam no planejamento de suas campanhas de imunização é a falta de "previsibilidade", já que muitas vezes as autoridades ficam sabendo do número total de doses a receber e do prazo de validade poucos dias antes da chegada do medicamento.

A OMS quer melhorar essas condições para as doses que chegam à África por meio do mecanismo Covax, promovido por essa agência e outras organizações para garantir o acesso global e equitativo à vacina.

No momento, segundo a OMS, apenas seis dos 54 países do continente atingiram a meta de vacinar 40% de sua população até o fim deste ano.

A África registrou mais de 8,8 milhões de casos e mais de 224 mil mortes por Covid-19 até o momento, de acordo com os últimos dados oficiais.

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