OMS destaca subnotificação de casos no Brasil por falta de testes

Organização diz ser necessário avaliar novo pico de casos no fim de semana para saber se houve reversão do quadro mais estável da semana passada

Drive-thru de testes rápidos de covid-19 no Rio: OMS destacou subnotificação

Drive-thru de testes rápidos de covid-19 no Rio: OMS destacou subnotificação

Ricardo Moraes / Reuters - 15.6.2020

A pandemia de covid-19 no Brasil tem sido subnotificada, destacou a OMS (Organização Mundial da Saúde), devido ao baixo número de testes realizados no país. "Nós estamos subestimando o número real de casos", disse o diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, Michael Ryan.

O Brasil é o país com o segundo maior número absoluto de casos diagnosticados de infecções pelo novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos. Porém, a OMS reconhece que o número de testes é insuficiente para se saber o número exato de casos.

De acordo com Ryan, a taxa de positividade — ou seja, o número de resultados positivos para o total de testes realizados — é muito alta no Brasil, cerca de 31%. Em países com políticas de testagem bem estabelecidas, esta proporção é de 5%.

Na última semana, a OMS havia afirmado que os dados mostravam indícios de estabilização da pandemia no país, porém um novo pico de registros de novos casos no fim de semana lançou dúvidas sobre esta tendência.

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Ryan afirmou que é necessário olhar com mais calma para os números mais recentes para saber se se trata de uma tendência de aumento ou apenas um acúmulo de dados regionais que não haviam sido computados anteriormente.

A OMS também indicou que a América Latina como um todo tem registrado um aumento preocupante no ritmo da pandemia, com vários países acumulando taxas de crescimento de mais de 25% no número total de diagnósticos na última semana.