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Saúde OMS: epidemia de coronavírus ainda pode seguir 'em qualquer direção'

OMS: epidemia de coronavírus ainda pode seguir 'em qualquer direção'

Especialistas consideram risco de número de casos se estabilizar na China, mas continuar aumentando em outros países

China já registrou mais de 45 mil casos do novo coronavírus

China já registrou mais de 45 mil casos do novo coronavírus

Aly Song/ Reuters - 09.02.2020

O número de casos de infecção pelo novo coronavírus na China se estabilizou, mas essa aparente desaceleração na propagação da epidemia deve ser vista com "extrema cautela", disse o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta quarta-feira (12).

"Esse surto ainda pode seguir em qualquer direção", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, em um briefing em Genebra.

No final de uma reunião de dois dias sobre pesquisa e inovação sobre medidas para combater o novo surto viral, Tedros elogiou a energia e o entusiasmo dos cientistas que começaram a trabalhar.

Ele acrescentou que uma equipe avançada liderada pela OMS que viajou para a China no início desta semana fez "um bom progresso" na composição e no escopo de seu trabalho.

Apenas começando

A epidemia de coronavírus pode estar chegando ao pico da China, mas está só começando no resto do mundo e provavelmente se espalhará, segundo Dale Fisher, presidente da Rede Global de Alerta e Resposta a Surtos, que é coordenada pela OMS.

De acordo com o especialista, o "curso de tempo" previsto pode estar correto caso se permita que o vírus se dissemine livremente em Wuhan.

"É justo dizer que é exatamente isso que estamos vendo", disse ele à Reuters em uma entrevista.

"Mas ele [vírus] se espalhou para outros lugares onde o surto está começando. Em Cingapura, estamos no início do surto."

O vírus semelhante à gripe já matou mais de 1.100 pessoas e infectou cerca de 45 mil, predominantemente na China — a maioria em Wuhan.

Cingapura relatou 50 casos de coronavírus, uma das maiores cifras fora da China, o que inclui indícios crescentes de transmissão local.

"Mas realmente acredito que eventualmente todo país terá um caso", disse Fisher.

Indagado sobre a razão de tantos casos em Cingapura, ele respondeu que, comparativamente, existem mais exames sendo realizados na ilha.

"Temos um índice muito baixo de suspeita ao examinar as pessoas assim... mas temos uma determinação maior", disse, mas acrescentando que ainda se desconhece muito sobre a transmissão do vírus.

Kenneth Mak, diretor de serviços médicos do Ministério da Saúde de Cingapura, disse em uma coletiva de imprensa que é difícil ter confiança em projeções de que a epidemia terá um pico na China neste mês, mas que, de qualquer maneira, picos em outros países ocorrerão um ou dois meses mais tarde do que na China.

Fisher disse não haver justificativa para o pânico que está levando as pessoas a comprarem itens básicos, como arroz e papel higiênico, visto em Cingapura.

"Não existe indício de que teremos escassez de nada", disse. "Eu ficaria de cabeça fria."