OMS pede que países ampliem testes para diagnosticar coronavírus

Tedros Adhanom, diretor-geral da organização, defendeu que sem exames 'os casos não podem ser isolados e a cadeia de infecção interrompida'

OMS recomenda ampliação de testes para diagnosticar coronavírus

Orientação foi divulgada pela instituição nesta segunda-feira (16)

Orientação foi divulgada pela instituição nesta segunda-feira (16)

Danny Lawson/Reuters

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou nesta segunda-feira (16) que todos os países aumentem os programas de testes para identificação de pessoas infectadas com o novo coronavírus, como a melhor maneira de retardar o avanço da pandemia. 

"Temos uma mensagem simples para todos os países: teste, teste e teste", disse o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva em Genebra. "Sem testes, os casos não podem ser isolados e a cadeia de infecção não será interrompida", acrescentou.

Brasil vai na contramão da OMS

David Uip defende exame apenas em casos "graves"

David Uip defende exame apenas em casos "graves"

ETTORE CHIEREGUINI/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Diferente do que vem sendo recomendado pela Organização Mundial da Saúde, autoridades brasileiras defendem que o PCR-RT seja realizado apenas em pacientes considerados "graves", quando há necessidade de internação hospitalar. 

Na sexta-feira (13), o coordenador de centro de contingência criado pelo governo de São Paulo, o infectologista David Uip, criticou a realização indiscriminada de exames.

"O que está acontecendo na prática: todo indivíduo que foi para um casamento no final de semana quer fazer o exame, assintomático ou não. Não tem nexo fazer exame em indivíduos assintomáticos, mesmo porque, muitas vezes, ele dá negativo em um primeiro momento e quando tem os sintomas ele positiva", disse o médico em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes. 

Com a transmissão comunitária estabelecida na capital paulista, o governo anunciou na quinta-feira (12) que vai deixar de testar todos os pacientes.

"Só faremos exames nos pacientes que estão internados, nos indivíduos em clínica sentinela [monitoramento por amostragem] e em pesquisa. Isto é dar bom gasto ao dinheiro público", disse Uip. 

Na mesma ocasição, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta explicou que, diferente do que acontece na China e em alguns países da Europa — em que os exames são realizados um a um —, aqui no Brasil, no atual momento da pandemia, não existe a necessidade de repetir o método.

"Quando existe epidemia eu já sei que o quadro clínico é esse, que é assim. Então se faz o diagnóstico clínico. Eu não preciso contar mil, dois mim. É feito por nexo causal (quando se observa a relação dos sintomas com a doença objeto de análise). Chega uma hora que não precisa ficar fazendo mais de um a um", defendeu Mandetta.

Arte R7