Países da África rumam para pico de casos de coronavírus, diz OMS

Chefe da OMS na África alerta que 'os números das infecções na África são relativamente baixos agora, mas estão crescendo rápido'

A África responde por uma fração dos casos globais da covid-19

A África responde por uma fração dos casos globais da covid-19

Siphiwe Sibeko/Reuters - 27.03.2020

Alguns países da África podem ter um pico de casos de coronavírus nas próximas semanas, e os exames deveriam ser ampliados com urgência na região, disseram autoridades da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta quinta-feira (9).

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"Durante os últimos quatro dias, pudemos ver que os números quase dobraram", disse Michel Yao, diretor programador de reação de emergência para a África da OMS, em uma teleconferência com a imprensa.

"Mesmo se a tendência continuar, e também aprendendo com o que aconteceu na China e na Europa, alguns países podem enfrentar um pico enorme em breve", disse, acrescentando que este pode ocorrer nas próximas semanas, mas sem identificar os estados.

A quantidade de pessoas infectadas com o novo coronavírus na África tem sido relativamente baixa até agora – quase 11 mil casos e 562 mortes, de acordo com uma contagem da Reuters baseada em comunicados do governo e dados da OMS.

Chefe da OMS na África, Matshidiso Moeti disse que existe uma "necessidade urgente" de realizar exames muito além das capitais africanas agora que o vírus está se espalhando pelos países.

"Sem ajuda e ação já, países pobres e comunidades vulneráveis podem sofrer uma devastação imensa", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a diplomatas em Genebra.

"Os números das infecções na África são relativamente baixos agora, mas estão crescendo rápido", alertou.

Ele observou o estrago feito em nações ricas nos 100 dias transcorridos desde que a China informou a OMS de casos de uma "pneumonia de causa desconhecida" na cidade de Wuhan.

Líderes africanos, incluindo os presidentes da África do Sul, Nigéria e Ruanda, fizeram coro a Tedros, ex-ministro das Relações Exteriores da Etiópia, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a agência da ONU (Organização das Nações Unidas) e ameaçou cortar a contribuição norte-americana ao seu orçamento.

Embora a África responda por uma fração dos casos globais da doença, suas nações estão sentindo o impacto econômico. Em um relatório publicado nesta quinta-feira, o Banco Mundial disse que o surto deve empurrar a África subsaariana para a recessão pela primeira vez em 25 anos em 2020.

O relatório Pulso da África disse que a economia da região se retrairá de 2,1% a 5,1% em relação ao crescimento de 2,4% do ano passado, e que o novo coronavírus custará à África subsaariana entre 37 bilhões e 79 bilhões de dólares em perda de produção neste ano devido ao transtorno no comércio e na cadeia de valores, entre outros fatores.