Pandemia pode demorar mais a passar nas Américas, diz Opas

Representação da OMS na região avalia que sem medidas de contenção do vírus, países tendem a conviver por mais tempo com alta de casos de covid-19

Américas são hoje o epicentro da pandemia do coronavírus no mundo

Américas são hoje o epicentro da pandemia do coronavírus no mundo

Ricardo Moraes/Reuters - 12.6.2020

Se países do continente americano deixarem de adotar medidas para conter o avanço do coronavírus ou as afrouxarem desordenadamente, a região deve enfrentar a pandemia por mais tempo do que a Europa, afirmou nesta terça-feira (16) Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), representação da OMS (Organização Mundial da Saúde) na região.

Na avaliação de Espinal, "não é bom fazer comparações" entre a Europa e a América Latina, já que são regiões "completamente diferentes" em infraestrutura, recursos e igualdade social.

Leia também: Diretora da OMS para Américas diz que covid-19 está em aceleração

Ele afirmou, no entanto, que os países latino-americanos foram rápidos para adotar medidas de distanciamento social e pediu que elas continuem na pauta dos governos locais, pois a região passa pelo momento de maior incidência de covid-19.

"Tudo indica, porém, que se as medidas de mitigação — o pacote de medidas que recomendam as organizações internacionais, como a Opas e a OMS — não forem adotadas ou não continuarem se reforçando, [a pandemia] pode durar muito mais tempo que na Europa."

A Europa registrou os primeiros casos de covid-19 no fim de janeiro, um mês antes do Brasil.

Mas alguns países que foram severamente afetados, como Itália e Espanha, conseguiram reduzir drasticamente a transmissibilidade após medidas rigorosas de confinamento (lockdown) que duraram cerca de dois meses. 

Para o diretor da Opas, "os modelos indicam que em junho e julho a região vai estar na presença de uma onda importante de casos de covid", o que inclui também o aumento de óbitos.

"No começo, os países implementaram ações precoces que permitiram tornar mais lenta a disseminação do vírus. Mas hoje, todavia, estamos no que é o epicentro desta pandemia e definitivamente as medidas devem continuar. Ao contrário, podemos ver que isto continue por um tempo bastante importante."

O subdiretor da organização, o brasileiro Jarbas Barbosa, ressaltou que não se pode falar em segunda onda na região ainda, pois nenhum país das Américas conseguiu controlar a transmissão da primeira onda.

"Nós só podemos falar de segunda onda depois que a primeira onda estiver completamente controlada. Esta é a situação que temos na Nova Zelândia, que interrompeu completamente a transmissão de covid-19. Então, se em um mês ou dois meses a Nova Zelândia experimentar uma nova onda de transmissão, esta será a segunda onda."

Reabertura

Estados brasileiros que fecharam atividades não essenciais como forma de conter o vírus começaram a reabrir nas últimas semanas.

Em São Paulo, por exemplo, mesmo com aumento de novos casos e óbitos, diversas regiões estão autorizadas a abrir shoppings e comércio de rua, ainda que em horário restrito e com menor capacidade de público.

Espinal disse que isso precisa ser feito de maneira "lenta e segura", para garantir a testagem dos casos suspeitos e vagas no sistema de saúde.

"Definitivamente, reabrir um pouco mais cedo nos mostra que pode haver uns picos mais altos como vimos em outros países."