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Saúde Para especialistas, comida pode ser refúgio saudável na pandemia

Para especialistas, comida pode ser refúgio saudável na pandemia

Mecanismo de busca da alimentação como conforto e recompensa nos momentos difíceis é comum nas pessoas  

  • Saúde | Carla Canteras, do R7

Resumindo a Notícia

  • Estado emocional das pessoas muda a relação delas com o que e quanto se come
  • Tentar novos temperos e modo de preparar os alimentos podem ser solução
  • Durante refeições, pessoas não devem fazer outras atividades ao mesmo tempo
  • Alimentação não é o único processo reconfortante nas horas difíceis, como a pandemia
Alimentação é refúgio das pessoas na quarentena e isolamento social

Alimentação é refúgio das pessoas na quarentena e isolamento social

pixabay

A população brasileira vive há mais de um ano a pandemia do novo coronavírus. Este período tem exigido das pessoas uma série de restrições sociais, econômicas e emocionais.

Nos momentos mais difíceis, muitas vezes, os alimentos passam a ser usados como um conforto, e a escolha da comida serve como uma recompensa no dia a dia.  

O psiquiatra Arthur H. Danila, coordenador do Programa de Mudança de Hábito e Estilo de Vida do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), aponta motivos para essa escolha das pessoas.

“Os estados emocionais afetam o momento em que as pessoas comem, a quantidade que comem e os alimentos que decidem consumir. O consumo de alimentos, por sua vez, afeta os estados emocionais subsequentes”, explica o médico.

E acrescenta que, com os efeitos da alimentação, já demonstrados em estudos, “a ingestão de alimentos diminui sentimentos de desamparo, depressão, perda de controle e angústia, diminui o estresse e aumenta os sentimentos de alegria”, explica o psiquiatra.

O médico nutrólogo do Hospital Moriah, Marcelo Cassio de Souza, lembra que a quarentena praticamente só deixou essa opção de compensação.

“A alimentação virou um dos poucos refúgios que sobrou. Eu não posso ir ao parque, que me dá prazer, eu não posso passear, eu não posso ir ao cinema... o que eu posso? Fazer comida e pedir comida”, conta o especialista.

Ele alerta sobre essas escolhas. “As comidas buscadas não são uma salada. Além de que, os pratos são bem-servidos, caprichados no tempero, na gordura, no doce”, ressalta. 

Saudade da família e amigos

As escolhas dos alimentos também estão relacionadas às ligações familiares. Uma vez que os encontros são menos frequentes e funcionam como uma forma de diminuir a saudade da vida habitual.

“Família, amigos e herança cultural moldam as preferências alimentares individuais. A oferta de comida pode ser usada para mostrar afeto aos entes queridos, para mostrar hospitalidade para com estranhos, ou para aderir ou expressar crenças”, conta Danila.

Uma vez que a alimentação está associada ao conforto e, nos momentos de crise esses refúgios são importantes, como as pessoas podem evitar que o consumo inadequado prejudique a saúde?

Equilíbrio para se mantar saudável

O nutrólogo afirma que é importante que os indivíduos estejam abertos às possibilidades de comidas diferentes, boas e melhores à saúde.

“As preocupações com tamanho da porção, quantidade de sal, açúcar e gordura devem ser levadas em conta. É preciso abrir a cabeça e o estômago para novas experiências. É possível conseguir um sabor bom, sem prejudicar a saúde, com temperos e molhos especiais que deixam a comida saborosa e dá prazer”, salienta Marcelo Cassio de Souza.

Além de buscar opções mais saudáveis, a forma de se alimentar também ajuda nas sensações de prazer e conforto.

“Quando for comer, o correto é parar e comer. Curtir a comida. Mastigar bem, várias vezes, e curtir o alimento. Com isso, a pessoa acaba comendo menos e tendo mais prazer com o alimento. [Ao] fazer as refeições junto com outras atividades, você nem sente o gosto da comida direito e come mais, muitas vezes, sem nem gostar da comida”, orienta o nutrólogo.

Arthur Danila argumenta, ainda, que é possível manter a saúde mental e física buscando recompensas não só na alimentação.

“É necessário compreender que a alimentação é um dos processos reconfortantes, mas não o único. É muito comum procurarmos soluções rápidas e dentro da nossa esfera de governabilidade para problemas complexos e que estejam além de nosso controle, em especial quando há tanta imprevisibilidade como nos tempos atuais”, explica o psiquiatra.

Ele finaliza, explicando que equilíbrio é a solução. “Quando a ‘comfort food’ está alinhada a outras práticas de autocuidado, é possível aproveitar o poder emocionalmente positivo de uma comida acolhedora, sem cometer excessos, que seriam prejudiciais para a saúde.”

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