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Saúde Por que jovens 'sarados' também têm risco de internação por covid-19

Por que jovens 'sarados' também têm risco de internação por covid-19

Aumento de casos graves e descuido em relação às medidas de prevenção entre esse segmento da população levou infectologista a fazer alerta

  • Saúde | Brenda Marques, do R7

Movimentação intensa de banhistas nas praias da Barra da Lagoa, em Florianópolis (SC)

Movimentação intensa de banhistas nas praias da Barra da Lagoa, em Florianópolis (SC)

Agência Estado - 13.12.20

Apesar de serem menos suscetíveis, pessoas jovens também podem desenvolver quadros graves de covid-19 e precisar de internação. Esse é o alerta feito por especialistas que estão na linha de frente do combate à pandemia diante do aumento de casos desse tipo nos últimos meses e da multiplicação de cenas de aglomeração em praias e bares de diversas regiões do país.

"Os dados do governo de São Paulo publicados essa semana mostram que nas últimas 3 semanas a maior parte das pessoas internadas são jovens", afirma a infectologista da Unicamp e consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) Raquel Stucchi.

As informações disponíveis na Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde) do Estado de São Paulo mostram que entre março e novembro pessoas entre 55 e 75 anos eram maioria entre os que precisavam de leitos de covid-19. Contudo, nas últimas três semanas a faixa etária predominante passou a ser de 30 a 50 anos.

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A explicação para esse cenário, de acordo com ela, está no fato de que essa parcela da população passou a descumprir as medidas de prevenção contra o novo coronavírus.

"Provavelmente, os jovens ficaram mais em casa ou estudando ou trabalhando em home office e resolveram, a partir dos feriados de novembro, sair, provocando aglomerações, ficando sem máscara e adoeceram em maior quantidade, por isso que foram internados em um número maior", analisa.

Essa situação foi o que motivou Raquel a postar um vídeo em que faz um alerta emocionado nas redes sociais na última quinta-feira (10). A infectologista começa a gravação explicando que deseja falar com quem é "jovem, sarado, saudável, que cansou de ficar em casa trabalhando em home office desde março, que não aguenta mais ter aula virtual".

"Você sabia que os hospitais estão lotados? Estão lotados e com muitas pessoas jovens, saradas, bonitas, que se achavam saudáveis e que não adoeceriam de jeito nenhum?", questiona. "Pois é, muitos jovens como você estão internados, brigando entre a vida e a morte", afirma com a voz embargada.

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Grandes disseminadores do vírus

Em seguida, a especialista acrescenta que o descuido da juventude também coloca em risco quem está ao seu redor e continua fazendo isolamento social. 

"Os hospitais também estão lotados das pessoas com que vocês tiveram contato. Os pais, os tios, os avós. que ficaram em casa e não se cansaram da solidão, e se resguardaram. Mas receberam a visita do filho, do sobrinho e do neto, e adoeceram".

Por fim, Raquel lembra que os jovens têm responsabilidade sobre o cenário epidemiológico - presente e futuro - da pandemia e faz um apelo: "Cuida da sua saúde. Cuide de quem você ama. Fique em casa. Não promova festa, não promova aglomerações, batizados, noivados, casamentos, amigo secreto. Ainda este ano, é tudo virtual. Se você quiser poder estar com as pessoas que você ama em 2021", finaliza.

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Durante a Live JR que foi ao ar na última sexta-feira (11), a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, também abordou o tema e fez observações que corroboram as de Raquel. "Os jovens são pessoas muito mais ativas, por isso acabam disseminando muito mais o vírus", disse.

Sem olfato e energia

Ela destacou que mesmo quando o paciente não é acometido pela forma grave da covid-19, podem haver uma lenta recuperação e consequências para a sua qualidade de vida.

"Eu tenho casos de pacientes jovens, que corriam 10 km por dia, têm uma vida intensa do ponto de vista da atividade física e não conseguem voltar [a esse padrão] tão cedo", exemplifica.

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A médica cita outros relatos de pessoas que perderam ou tiveram distúrbios no olfato. "Tenho queixas de falar 'olha, para mim tudo cheira a carne podre'. Qualquer comida quente, que venha o aroma, ele não consegue comer, tem que comer coisa fria", completa.

Live JR: Assista à entrevista completa da última sexta-feira (11):

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