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Saúde Por que não é preciso ter medo de tomar a vacina de Oxford

Por que não é preciso ter medo de tomar a vacina de Oxford

OMS e Anvisa dizem que benefícios são maiores que riscos, após países interromperem uso por possível relação com trombose

  • Saúde | Carla Canteras, do R7

Resumindo a Notícia

  • Especialista diz que risco da covid é maior que qualquer efeito, mesmo que ligado à vacina
  • Organização Mundial da Saúde: 'benefícios da vacina de Oxford superam seus riscos'
  • Anvisa diz que não há registros de embolismo e trombose ligados ao imunizante no Brasil
  • Brasileiros não podem escolher CoronaVac ou Oxford e médicos não veem problemas
Agência de saúde indicam continuidade na aplicação da vacina Oxford

Agência de saúde indicam continuidade na aplicação da vacina Oxford

Yves Herman/Reuters - 17.3.2021

Desde que países europeus anunciaram uma possível relação entre a vacina de Oxford com o surgimento de tromboses, muitas pessoas estão com medo de receber o imunizante contra a covid-19. Especialistas e agências de saúde dizem não existir motivo para a suspensão do uso e muito menos para recusar receber a primeira ou segunda dose da vacina.

Em comunicado na quarta-feira (17), a OMS (Organização Mundial de Saúde) apontou que "os benefícios da vacina de Oxford superam seus riscos" e recomendou que a vacinação continue.

O virologista Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José Rio Preto, é direto ao falar do uso do imunizante. “Ninguém precisa ter medo. É muito mais arriscado um idoso pegar covid grave do que ter trombose e, na fase atual que estamos no Brasil, as chances de um idoso morrer de covid é grande. Então, vá tomar sua dose tranquilamente. Os riscos de qualquer fenômeno, ainda que não sejam atribuídos à vacina, são muito menores que o risco da covid”, explica.

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) segue o mesmo caminho da OMS recomendando a continuidade da vacinação. Há seis casos de tromboembolismo notificados no país, mas a relação entre o problema e o uso da vacina não foi comprovado. 

Cerca de 3 milhões de brasileiros receberam a primeira dose da Oxford, segundo informações da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que começa a produzir o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca no Brasil.

Para Monica Levi, presidente da Comissão de Revisão de Calendários Vacinais da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), é importante lembrar que os estudos não terminaram. “Em um país que tem excesso de imunizantes, como Pfizer, Moderna, Janssen, você pode interromper por precaução. A situação por aqui é diferente. Precisamos ressaltar que os efeitos colaterais estão em análise e tudo corrobora que os casos não tiveram relação com a vacina”, diz a médica.

O cirurgião vascular Bruno Lima Naves lembra que idosos têm mais chance de terem problemas vasculares. "O idoso tem as veias mais dilatadas, a musculatura da panturrilha é mais fraca e menos eficiente para impulsionar o sangue das pernas de volta ao coração", explica o presidente Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).

Nogueira ainda lembra que eventos tromboembólicos tiveram a mesma incidência entre vacinados e não vacinados. "Nos ensaios clínicos foi verificado que aconteceu o mesmo número de casos de tromboses entre as pessoas que foram vacinadas com a Oxford e aquelas que não receberam o imunizante”, diz o virologista.  

Mas, o que são os eventos tromboembólicos?

Eventos tromboembólicos são a formação de um coágulo, ou uma bolha, que obstrui a passagem do sangue em um determinado vaso. Habitualmente, começa nas pernas, se desprende e entra na circulação sanguínea. A agravante é quando o trombo vai para coxa e circula até chegar ao pulmão, que pode levar à morte.

Lima Naves explica que mais de um fator causa a trombose. “Pode ser genético, então é importante saber se alguém da família já teve o problema; fatores ocasionados por uma cirurgia, e o mais comum é a pessoa ficar longos períodos parada, principalmente se tiver artrose, for mais idosa, varizes, insuficiência cardíaca, doença pulmonar. Enfim, qualquer coisa que atrapalhe a saúde”, afirma.

Por enquanto, os imunizantes CoronaVac e Oxford são os únicos aplicados no Brasil e a população não pode escolher qual produto vai receber. O que não pode ser um motivo para não se vacinar, segundo os especialistas.  

“As pessoas precisam ter medo é de não vacinar! Se alguém estiver cismado, mesmo que sem motivo, tome e se previna. Existem dois jeitos simples de prevenção: se mantenha em movimento, fique 50 minutos parado e dez em movimento e tente ter períodos do dia para deitar e deixar as pernas acima da altura do coração, para o sangue circular. A prevenção é para todos, mesmo para quem não se vacinou”, incentiva Lima Naves.

Entenda o caso

As supeitas sobre a vacina começaram no dia 8 de março, após a morte de uma mulher de 49 anos, na Áustria. A vítima morreu por graves distúrbios de sangramento e tinha tomado o imunizante dias antes. De acordo com a EMA, até 9 de março, foram notificados 22 casos de trombose em mais de três milhões de vacinados com a droga na Europa. 

Mais de 20 países suspenderam o uso da Oxford: Suécia, Letônia, França, Alemanha, Itália, Espanha, Luxemburgo, Chipre, Portugal, Eslovênia, Indonésia, Países Baixos, Irlanda, Bulgária, República Democrática do Congo, Tailândia, Romênia, Islândia, Dinamarca, Noruega e Áustria.

Segundo a Anvisa, o lote de vacinas que poderiam ter problemas não foi enviado para o Brasil. 

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