Novo Coronavírus

Saúde Presença de vírus da covid-19 em esgotos ajuda a mapear infectados

Presença de vírus da covid-19 em esgotos ajuda a mapear infectados

Fiocruz publicou pesquisa feita na rede de esgoto de Niterói, no Rio, que mostrou presença do vírus em mais 84% das amostras

Resumindo a Notícia

  • Mais de 84% das amostras do esgoto de Niterói apresentaram o novo coronavírus
  • Coletas foram feitas em dez regiões mais populosas e vulnerável do município
  • Pesquisa mostrou presença do vírus antes de registro de caso em região da cidade
  • Fiocruz conseguiu fazer sequenciamento genético de amostras coletadas em esgotos
Pesquisadores coletaram amostras em duas estações de esgoto de Niterói

Pesquisadores coletaram amostras em duas estações de esgoto de Niterói

Josué Damacena/Divulgação Agência Fiocruz

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou os primeiros resultados de um estudo feito no esgoto de Niterói, no Rio de Janeiro, com o objetivo de mapear a propagação do SARS-CoV-2. Foram usadas 400 amostras. Mas, por enquanto, os resultados apresentados foram de 233 amostras coletadas entre abril e agosto de 2020. A pesquisa destectou a presença do vírus da covid-19 em 84,3% do material recolhido.

O estudo foi publicado na revista científica Water Research, na segunda-feira (1º), uma das principais publicações no campo da ciência e tecnologia da água, e foi feito em parceria com a Prefeitura de Niterói e a concessionária Águas de Niterói.

A pesquisa usou como base evidências científicas de que o novo coronavírus é eliminado pelas fezes das pessoas infectadas e, com isso, há a presença do vírus no esgoto. Os especialistas analisaram a quantidade de material genético viral presente das amostras e em quais bairros eles foram encontrados. Assim, foi possível mapear e caracterizar a transmissão da doença nas diferentes regiões da cidade.

"Conseguimos implantar o projeto no começo da pandemia e observamos que a metodologia é capaz de apontar a dispersão do vírus no ambiente, contribuindo para subsidiar as estratégias de enfrentamento das autoridades de saúde", afirmou Marize Pereira Miagostovich, chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) à agência Fiocruz.

A pesquisa

De abril a setembro, foram feitas coletas semanais em duas estações de tratamento de esgoto e dez outros pontos da rede. Os pontos foram definidos pela Secretaria de Saúde de Niterói e se concentraram nas regiões mais populosas e com mais vulnerabilidade da cidade.

Os resultados refletiram a evolução da pandemia no município. Em abril, 42% das amostras detectaram a presença do Sars-CoV-2. Já de maio a junho, período do primeiro pico no Brasil, as taxas ficaram em 90% e chegaram aos 100% em algumas semanas. Em julho, o índice caiu e atingiu a 50% no começo do agosto.

Porém, veio o relaxamento das medidas de distanciamento social e, já na última semana de agosto, o vírus foi encontrado em 75% das amostras.

A pesquisa voltou a detectar o Sars-CoV-2 entre 90% e 100% das amostras em novembro e dezembro do ano passado. Mas, nesse período, o número de internações e morte caíram na cidade. O contrato entre a Fiocruz e a Prefeitura de Niterói vai até o fim deste mês.

“A presença do vírus nas amostras aponta que ele está circulando na população. Mas a vigilância do esgoto deve ser sempre considerada como um indicador complementar, junto com outros dados relacionados à doença”, explicou Marize.

Em janeiro, a concentração de vírus no esgoto abaixou. Mesmo assim, ainda foi encontrado em 80% a 90% dos pontos pesquisados.

Facilita políticas públicas

A Secretaria de Saúde de Niterói acompanhou de perto os resultados da pesquisa e usou os dados para tentar conter a propagação da doença.

Na segunda semana do monitoramento, o vírus foi detectado em tubulações de esgoto de uma região onde não havia registro oficial de doentes. A partir daí, equipes do Programa de Saúde da Família, do SUS, buscaram os possíveis infectados, identificando pessoas com sintomas e testando os moradores do local.

Sequenciamento genético

Além de detectar a propagação da doença, os pesquisadores da Fiocruz conseguiram fazer o sequenciamento genético de quatro amostras coletadas e foi encontrado a cepa B, a mais comum no Brasil até a chegada da mutação do Amazonas.

A pesquisadora afirmou que o laboratório pretende fazer sequenciamento genético das amostras coletadas a partir de dezembro. “Continuamos com o monitoramento e pretendemos realizar novos sequenciamentos genéticos, por exemplo, para monitorar a circulação de variantes virais e o reflexo da vacinação.”

De acordo com os últimos dados divulgados pela Prefeitura de Niterói, 832 pessoas morreram e 29.352 foram infectadas pela covid-19, até 28 de fevereiro. 

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