Principal causa de cegueira em idosos é desconhecida pelos brasileiros, revela pesquisa

Chamada de DMRI, doença não tem cura e pode deixar paciente dependente de “terceiros”

Degeneração Macular Relacionada à Idade, principal causa de cegueira em idosos, acomete pessoas de olhos claros

Degeneração Macular Relacionada à Idade, principal causa de cegueira em idosos, acomete pessoas de olhos claros

Thinkstock

Um levantamento realizado pela SBRV (Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo) com 4.030 homens e mulheres acima de 35 anos em cinco capitais brasileiras — Recife, Porto Alegre, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro — revelou que a DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), principal causa de cegueira em idosos, é desconhecida para 79% das pessoas entrevistadas.

Como o próprio nome sugere, a doença está relacionada ao envelhecimento e acomete entre 25 e 30 milhões de pessoas no mundo. Segundo o oftalmologista Walter Takahashi, presidente da SBRV, a DMRI é caracterizada pela perda gradual da visão central, prejudicando atividades rotineiras, como ler, dirigir, assistir televisão, jogar baralho, cozinhar e reconhecer rostos.

—A diminuição da visão em idosos aumenta as chances de quedas e fraturas, causa dependência da família e pode até desencadear um quadro de depressão.

Hábitos de vida ruins e aglomerações podem prejudicar a visão

O diagnóstico precoce, enfatiza o médico, é a forma mais eficaz para prevenir a progressão da degeneração macular. No entanto, Takahashi lamenta que a população não tenha o hábito de visitar o oftalmologista. De acordo com a pesquisa, apenas 23% das pessoas consultam o especialista anualmente, sendo que 11% nunca visitaram um profissional dessa especialidade médica.

— Precisamos conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce, já que quanto mais cedo a DMRI for confirmada, mais chances o paciente tem de prevenir a cegueira e ter qualidade de vida.

Uso prolongado de aspirina é ligado a tipo de cegueira

Para avaliar como está a sua visão neste exato momento, o médico ensina fechar um dos olhos com as mãos e observar se a visão dos dois é similar ou se a “imagem vista está distorcida ou há manchas escuras, dois dos primeiros sintomas da degeneração macular”.

— Em qualquer sinal de que a visão não está 100%, é importante procurar o médico para fazer exames de fundo de olho e acuidade visual que, aliás, devem ser realizados anualmente.

Como idade e predisposição genética são fatores de risco que não podem ser prevenidos, o professor Marcos Ávila, da UFG (Universidade Federal de Goiás), aponta as doenças e hábitos que aumentam as chances do aparecimento da DMRI.  

— Tabagismo, dieta pobre em frutas e verduras, obesidade, hipertensão, colesterol alto, exposição excessiva à radiação solar e doença cardiovascular são fatores de risco importantes. Os fumantes, por exemplo, são duas vezes mais propensos a desenvolver a doença.

Além disso, ele acrescenta que pessoas do sexo feminino, pele clara e de olhos verdes ou azuis têm mais chances de apresentar o problema na visão.

Seca X úmida                                                                               

A DMRI é dividida em dois tipos: a seca e a úmida. A primeira é a mais comum, representando até 90% de todos os casos, porém sua progressão é mais lenta e apenas 10% dos pacientes ficam cegos. A forma úmida, responsável pela minoria dos casos (10%), é a forma mais séria e grave de DMRI, já que a doença é caracterizada pelo desenvolvimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina. 

O oftalmologista Michel Farah, presidente do Instituto da Visão, adverte que do total de pacientes acometidos pela forma úmida, 90% evoluem para a cegueira.

— Os danos para a visão são irreversíveis, por isso é importante que o tratamento comece cedo. O objetivo é "salvar" parte da visão e, principalmente, manter a qualidade de vida.

Farah reforça que o tratamento é para o resto da vida e consiste em injetar medicações dentro do olho (no vítreo) com uma frequência mensal ou de acordo com o estágio da doença. O último medicamento para tratar a forma úmida foi lançado esta semana com o nome de Eylia.

— A vantagem em relação às outras drogas existentes no mercado é que este medicamento pode ser injetado a cada dois meses.

Mas, como toda novidade farmacêutica, o preço ainda é bem salgado, de R$ 4.660,00.

De olho na prevenção

Além de visitar o oftalmologista uma vez por ano, principalmente após os 45 anos, os oftalmologistas orientam abandonar o vício do fumo, priorizar uma alimentação saudável rica em frutas e verduras, manter o peso ideal, controlar a pressão arterial e o colesterol e proteger os olhos da radiação solar.