Profissionais da linha de frente têm 3 vezes mais risco de covid-19

Estudo da Universidade Harvard e King's College London mostra que, mesmo com a utilização de equipamentos de segurança, a chance é maior

Mesmo com equipamento de proteção, profissionais de linha de frente têm riscos

Mesmo com equipamento de proteção, profissionais de linha de frente têm riscos

Rovena Rosa/ Agência Brasil

Um estudo da Universidade Harvard e King's College London publicado na Lancet Public Health demonstrou que profissionais de saúde da linha de frente com equipamento de proteção individual (EPI) adequado ainda têm três vezes mais chance de um teste positivo para a covid-19 do que a população em geral. 

Os pesquisadores também descobriram que os profissionais de saúde de origem negra, asiática e de etnias minoritárias eram mais propensos a contrair a doença.

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Por meio de um aplicativo, foram analisados dados de 2.035.395 indivíduos e 99.795 profissionais de saúde da linha de frente no Reino Unido e nos Estados Unidos.

A prevalência de SARS-CoV-2, vírus que causa a covid-19, foi de 2.747 casos por 100 mil profissionais de saúde na linha de frente, em comparação com 242 casos por 100 mil pessoas na comunidade.

Cerca de 20% dos profissionais de saúde da linha de frente relataram pelo menos um sintoma associado à infecção em comparação a 14,4% da população em geral; fadiga, perda de olfato ou paladar foram os sintomas mais frequentes.

Os profissionais de saúde de minorias étnicas apresentaram um risco pelo menos cinco vezes maior de infecção em comparação com a comunidade geral branca não-hispânica.

Também foram observadas diferenças no uso adequado dos EPI de acordo com raça e etnia. Segundo o estudo, os profissionais de saúde de minorias étnicas relataram a reutilização ou o acesso inadequado aos EPI com mais frequência.

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“O trabalho é importante no contexto das taxas de mortalidade mais altas amplamente divulgadas entre os profissionais de saúde de origens de etnias minoritárias. Esperamos que uma melhor compreensão dos fatores que contribuem para essas disparidades se transformem em esforços para proteger melhor os trabalhadores", afirmou o principal autor do estudo, Mark Graham, do King's College London, em comunicado.