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Saúde 'Quando os testes voltarem, vou tomar a 2ª dose', diz infectologista

'Quando os testes voltarem, vou tomar a 2ª dose', diz infectologista

Estudos da vacina de Oxford contra a covid-19 foram interrompidos após voluntária britânica apresentar a doença autoimune mielite transversal

  • Saúde | Aline Chalet, do R7*

Mônica continuará
 no estudo

Mônica continuará no estudo

Arquivo pessoal

“Quando os testes voltarem, vou tomar a 2ª dose, não vou deixar de fazer e sair do estudo”, afirma a infectologista Mônica Levi, diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações). Ela é uma das 5 mil voluntárias que participam do teste da vacina de Oxford contra a covid-19 no Brasil.

Ela explica que, quando se propôs a participar do estudo, tinha consciência de que seu corpo seria usado para algo que não se conhece muito bem.

Os testes da terceira fase da vacina de covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e a empresa AstraZeneca foram paralisados após uma voluntária no Reino Unido ter sido diagnosticada com mielite transversal, uma manifestação autoimune que, normalmente, ocorre após infecções, mas que em raros casos pode ser desencadeada por vacinas. No Brasil, os testes são coordenados pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

“Espero que os outros participantes continuem no estudo também, são profissionais da saúde, então acredito que vão continuar. Se você for pensar que a taxa de letalidade é de 3% para covid-19, esse tipo de evento é raro para vacinas, eu tenho muito mais medo de pegar a covid-19 do que dar o azar de ser uma agulha no palheiro.”

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Eventos adversos como esse são registrados em outras vacinas. A vacina contra a febre amarela, por exemplo, tem uma incidência de 1 efeito adverso para cada 400 mil doses. “Na ciência, a gente sempre analisa o benefício. Imagina quantas pessoas não morreriam se não tivesse a vacina de febre amarela, para uma que pode ter algum tipo de efeito.”

Mônica ressalta que ainda não foi confirmado se a voluntária teve a mielite transversal por conta da vacina. “Não é um efeito adverso confirmado, é um evento grave que ocorreu após a vacinação e precisa ser investigado e descrito. É muito comum que ocorram coincidências temporais durante estudos científicos, mas tudo é descrito no trabalho.”

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A paralisação do estudo diante de um evento grave em um dos voluntários é um protocolo de segurança que deve ser seguido em qualquer estudo clínico, explica a infectologista.

“Isso é uma garantia de segurança e uma seriedade. Agora um comitê independente vai analisar todos os dados de segurança do estudo para dar o aval ou não para os testes prosseguirem.”

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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