Coronavírus

Saúde Queiroga diz que evento adverso não é razão para não vacinar

Queiroga diz que evento adverso não é razão para não vacinar

Ministro da Saúde suspendeu imunização de adolescentes, mas ressaltou, em Nova York, que reação não pode ser impedimento

Reuters
Marcelo Queiroga está em Nova York para acompanhar Bolsonaro na ONU

Marcelo Queiroga está em Nova York para acompanhar Bolsonaro na ONU

Wilson Dias/Agência Brasil - 16.09.2021

Depois de decidir suspender a vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos contra covid-19, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu a vacinação em Nova York mesmo em caso de ocorrência de alguns eventos adversos.

Na semana passada, depois de pedido do presidente Jair Bolsonaro, Queiroga disse que a vacinação nessa faixa etária deveria ser suspensa.

Em uma entrevista confusa, em que misturou o episódio da morte de uma adolescente em São Paulo com supostas suspeitas sobre as vacinas para essa faixa etária, Queiroga afirmou que os Estados correram demais com a vacinação e ela não deveria ser mantida para os adolescentes.

Já nesta segunda, em entrevista a jornalistas em Nova York, onde está acompanhando o presidente Jair Bolsonaro na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Queiroga afirmou que a existência de eventos adversos não é motivo para não vacinar.

"Brasil já vacinou mais de 3,5 milhões de adolescentes. A gente teve um efeito adverso e a mim cabe avaliar esses efeitos adversos da vacina. Eles existem e não são motivos para suspender campanha de vacinação ou relativizar seus benefícios, mas a autoridade sanitária tem que avaliar esses casos até para que faça as notificações devidas", afirmou.

O governo do Estado de São Paulo informou, no fim de semana, que a causa da morte da adolescente não teve relação com a vacina. Segundo a nota, a causa da morte foi uma doença autoimune chamada Púrpura Trombótica Trombocitopênica e não existe relato de que tenha relação com a vacinação.

Questionado sobre isso, Queiroga afirmou que o Ministério da Saúde fará sua própria avaliação antes de se manifestar sobre o caso, mas repetiu que o episódio não invalida a vacinação.

"Mas eu aqui já adianto: mesmo que tenha sido um efeito adverso ligado à vacina, não invalida a vacinação. O que o governo já defendeu é que os adolescentes deveriam ir depois. A gente precisa avançar nos acima de 18 anos. Então é uma questão de prioridade e logística", afirmou, repetindo que os Estados começaram antes a vacinar adolescentes e agora reclamam que faltam doses.

Até agora, apesar da nova orientação do ministério, a maior parte dos Estados decidiu manter a vacinação de adolescentes. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde pede uma reversão da posição da pasta e governos estaduais analisam entrar na Justiça para garantir a entrega de doses.

Doações

Questionado sobre a possibilidade de Bolsonaro anunciar a doação de vacinas em seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, na terça-feira, Queiroga afirmou que o Brasil defende a ampliação ao acesso às vacinas, mas que isso será anunciado quando estiver acertado.

O Brasil ainda não produz vacinas 100% localmente e depende de compras internacionais ou da importação de insumo farmacêutico ativo (IFA) para envase local dos imunizantes.

O acordo de transferência de tecnologia entre a AstraZeneca/Oxford está em vigor e a Fundação Oswaldo Cruz já produz os primeiros lotes para análise mas, na melhor das hipóteses, a vacina feita 100% no Brasil estará sendo distribuída no final deste ano.

Queiroga disse ainda que teve encontros com investidores em Nova York, em que tratou das possibilidades de abertura no Brasil e de brasileiros voltarem a circular no mundo e do status da campanha de vacinação no Brasil.

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