Saúde Quem já teve ataque de pânico pode ter recaída, como Rafa Kalimann

Quem já teve ataque de pânico pode ter recaída, como Rafa Kalimann

Influencer postou no Twitter que teve episódio no final de semana mais de um ano depois; ataque é a ativação do sistema de  fuga sem necessidade

  • Saúde | Aline Chalet, do R7*

Rafa postou no twitter que teve ataque de pânico no final de semana

Rafa postou no twitter que teve ataque de pânico no final de semana

reprodução instagram

Qualquer pessoa, mesma as que não possuem nenhum tipo de transtorno psicológico, pode ter ataque do pânico, como o que aconteceu com a digital influencer Rafa Kalimann no último final de semana, afirma o psiquiatra Luiz Scocca, membro da Associação Americana de Psiquiatria (APA).

"Esse final de semana, mais de um ano depois, a minha síndrome do pânico me deu um doloroso 'oi', sem causa, sem motivo, veio silenciosa como é e causou dor”, Rafa publicou em seu twitter.

Scocca explica que pessoas que já tiveram síndrome do pânico, transtorno em que a pessoa tem ataques constantes e passa a evitar situações que associa com o ataque, podem ter recaídas ou episódios pontuais como qualquer outra.

“O ataque do pânico é quando nós ativamos nosso mecanismo de ataque e fuga, então nosso corpo age como se estivéssemos diante de uma onça, mas sem a onça.”

Segundo ele, os sintomas podem ser os mais variados possíveis, mas os mais comuns são aceleração dos batimentos cardíacos, tremor, falta de ar, dilatação da pupila, dor no peito e dor de estômago.

“Se você estivesse diante de um perigo iminente ia precisar estar com os batimentos acelerados para correr, os músculos contraídos, a respiração ofegante para buscar mais ar, seu estômago ia liberar mais ácido para ter uma digestão mais rápida...”

Segundo ele, o primeiro sintoma é um medo inespecífico e depois um medo da morte. “A pessoa tem certeza que ela vai morrer, é uma maneira de o corpo fazer com que ela faça algo.”

Nem sempre o ataque possui um gatilho evidente. Parte dos profissionais acredita que ele apenas não pode ser identificado e parte acredita que alguns ataques acontecem sem nenhum desencadeador.

“O que acontece na síndrome do pânico é que a pessoa cria um gatilho, associa a alguma coisa e passa a evitar aquilo. Então, por exemplo, quando aconteceu o ataque eu estava em um banco, então não entro mais em bancos.”

Para ser considerado síndrome do pânico, é necessário que o ataque ocorra no mínimo quatro semanas seguidas. “Claro que se a pessoa tem com uma frequência menor, mas tem alguns episódios esporádicos, vamos ter um diagnóstico intermediário, mas o tratamento é praticamente o mesmo.”

O tratamento consiste em terapias e uso de medicações como ansiolíticos e antidepressivos. O médico explica que exercícios de respiração, meditação e 150 minutos de atividade física aeróbica por semana, divididos em no mínimo 3 dias, podem ser associados ao tratamento como forma de prevenção.

“Se eu tivesse que escolher uma maneira de prevenção para todas as doenças crônicas, inclusive as outras, como diabetes e pressão alta, eu diria a atividade física, 30 minutos que você corra durante 5 dias, já dá os 150 minutos e te previne de diversos problemas muito comuns e frequentes.”

Segundo o psiquiatra, a atividade física protege contra os transtornos psicológicos, pois libera hormônios e neurotransmissores que diminuem os níveis de ansiedade, como serotonina, dopamina, noradrenalina e endorfinas.

“É como se você tivesse tomando um antidepressivo e um ansiolítico natural.”

Scocca afirma que ainda não são claras as causas da síndrome do pânico, mas existem alguns fatores de risco, o mais importante deles é o genético. “Cerca de 2% a 3% da população em geral tem esse transtorno e a gente vê que várias pessoas da mesma família acabam desenvolvendo.”

O médico acrescenta que o Brasil é país mais ansioso do mundo, com cerca de 9,3% da população apresentando algum tipo de transtorno de ansiedade, sendo a síndrome do pânico um desses. “A hipótese é que a situação socioeconômica e alguns fatores culturais como consumo excessivo de álcool possam ser a causa disso, mas não se sabe.”

Acontecimentos de estresse extremo e traumas na infância também são fatores de risco. Situação financeira difícil, morte na família, problemas de relacionamento, brigas, trabalho exaustivo, famílias desestruturadas e abusos, são alguns exemplos.

Segundo o psiquiatra, a maior parte dos pacientes com síndrome do pânico são mulheres, mas não está claro se é uma questão biológica desse grupo estar mais suscetível a esse transtorno ou se os homens demonstram menos.

“A gente percebe que a maneira com que você pergunta para um homem faz diferença. Se eu pergunto se ele tem problemas, se está ansioso, normalmente não vai querer demonstrar fraqueza. Mas se eu pergunto se ele está satisfeito com o trabalho, ele vai reclamar, ele quer falar que a situação não está boa.”

O que fazer diante de um ataque de pânico?

Scocca explica que se a pessoa nunca teve um ataque e não tem informação sobre isso, ela pode realmente achar que pode ser algo físico e procurar ajuda ou um pronto socorro.

“Além disso, se você não tiver certeza que é um ataque, o melhor é ir a um pronto-socorro mesmo, afinal de contas, pode ser um infarto, os sintomas são muito parecidos.”

Porém, caso a pessoa perceba ser um ataque o melhor a se fazer são exercícios de respiração e lembrar que é apenas um ataque de ansiedade e já vai passar. “Inspirar e expirar profundamente, fazendo a respiração diafragmática, com a barriga.”

O médico orienta que não é interessante que várias pessoas fiquem em cima. “A pessoa pode ficar ainda mais nervosa, o ideal é que apenas uma pessoa, que ela confie, tente ajudar, seja a mãe, o marido, um amigo mais próximo ou um professor de educação física, que passe confiança.”

Quem que for tentar auxiliar deve explicar que a pessoa está tendo um ataque de pânico e convidá-la a respirar junto. “Às vezes, só de estar com alguém que confia o ataque já melhora.”

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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