Novo Coronavírus

Saúde R7 esclarece dúvidas sobre epidemia do novo coronavírus

R7 esclarece dúvidas sobre epidemia do novo coronavírus

Doença provocada por vírus descoberto na China tem deixado brasileiros preocupados, mas especialistas garantem que não há razão para pânico

  • Saúde | Aline Chalet, do R7*

O uso de máscaras é necessário em casos confirmados em ambiente hospitalar

O uso de máscaras é necessário em casos confirmados em ambiente hospitalar

EFE/EPA/STR

Conforme a epidemia de um novo tipo de coronavírus ganha novas dimensões, cada vez mais dúvidas surgem entre os brasileiros. O R7 selecionou as perguntas mais frequentes enviadas pelos seguidores do portal no Instagram e procurou fontes oficiais e especialistas para respondê-las.

"O que é o Coronavírus e de onde ele vem?"

Segundo Maria Van Kerkhove, médica da Unidade de Doenças Emergentes e Zoonoses da OMS (Organização Mundial da Saúde), os coronavírus são uma família de vírus que causam desde um resfriado comum até o MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio) e SARS (síndrome respiratória aguda grave).

A SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) informa que essa família foi descoberta em 1960 e recebe esse nome devido às espículas na sua superfície, que lembram uma coroa (do latim, corona).

Ilustração do CDC mostra o novo coronavírus (2019-nCoV)

Ilustração do CDC mostra o novo coronavírus (2019-nCoV)

Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/Reuters

A responsável pela epidemia atual é uma nova variante do coronavírus, denominada de 2019-nCoV. O novo coronavírus foi identificado em investigação epidemiológica e laboratorial, após a notificação de uma série de casos de pneumonia de causa desconhecida a partir de dezembro de 2019, diagnosticados inicialmente na cidade chinesa de Wuhan, capital da província de Hubei.

A origem da nova variante ainda não está elucidada. Existe a suspeita de que a contaminação começou em um mercado de frutos do mar e animais selvagens vivos em Wuhan.

Um artigo divulgado em 23 de janeiro, do Instituto de Virologia Wuhan, confirmou que o novo coronavírus usa o mesmo receptor de entrada de células que o SARS e descobriu que a identidade da sequência entre a novo vírus e um coronavírus de morcego é de até 96%.

“Os coronavírus circulam em animais e alguns deles têm a capacidade de transmissão entre animais e humanos. Nós chamamos isso de um evento de transbordamento”, afirma Maria.

"Ele é parente do H1N1?"

Não. Segundo a infectologista Nancy Bellei, virologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em coronavírus, apesar dos sintomas serem muito parecidos, o H1N1 é causado por outro tipo de vírus, o influenza, para o qual já existe vacina.

"Todo mundo que contrai o vírus morre?"

Não. A taxa de mortalidade, com base nos últimos dados divulgados pela OMS, é de 2,17% — ou seja, a cada 100 pessoas que foram infectadas até agora, duas morreram.

Segundo Nancy, apenas 20% dos casos são considerados graves na China e precisam de internação. Os outros são parecidos com uma gripe, além disso, algumas pessoas são assintomáticas.

“Os casos mais suscetíveis a evoluírem a óbito são os idosos e com comorbidades. Além disso, os hospitais lá estão muito sobrecarregados. Em lugares menos populosos e com menos casos, a mortalidade pode ser ainda menor.”

"Como a pessoa se contamina com o coronavírus? Pega pelo ar ou apenas pelo contato físico? Beijo pode transmitir?"

Segundo a SBI, o coronavírus pode ser transmitido de pessoa a pessoa pelo ar, por meio de tosse ou espirro, pelo toque ou aperto de mão ou pelo contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido então de contato com a boca, nariz ou olhos.

Além disso, a transmissão é possível a partir de animais após mutações. A SBI afirma que isso é denominado pelo termo em inglês species jumping, algo como pulo entre espécies.

Por exemplo, o SARS-CoV e o MERS-CoV, coronavírus que causaram epidemias recentes, surgiram em morcegos, e tiveram como hospedeiros intermediários gatos-de-algália e dromedários, respectivamente, e estes transmitiram aos humanos.

Nancy afirma que apesar de não existirem informações sobre transmissão via saliva. O contato íntimo de um beijo envolve troca de outras secreções que são responsáveis pela transmissão do vírus.

"Como o coronavírus mata e por quê?"

A infectologista explica que quadros de doenças infecciosas pulmonares fazem com que o paciente não consiga respirar adequadamente. Muitas vezes, a pessoa começa a perder área de trocas gasosas e quando uma parte importante do pulmão está comprometida, o paciente não consegue manter a saturação suficiente de oxigênio no sangue.

“A maior parte dos óbitos é por insuficiência respiratória, mas existem alguns casos em que a pneumonia agrava uma doença de base.”

"Onde o coronavírus está concentrado?"

No momento o único país com transmissão sustentada — exponencialmente de pessoa para pessoa — é a China.

"Quantos casos há, de fato, na China?"

Segundo o último relatório da OMS são 7.736 casos confirmados e 12.167 suspeitos no país.

"Como podemos nos prevenir? Chá de erva-doce e vitamina C previnem a doença?"

A infectologista explica que o vírus não está sendo transmitido no Brasil neste momento e, portanto, a prevenção não é uma necessidade agora. Ainda assim, as recomendações são adequadas para evitar outras doenças com transmissão parecida.

As recomendações da SBI são: evitar contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas; lavar frequentemente as mãos por pelo menos 20 segundos, especialmente após contato com pessoas doentes, com o meio ambiente e antes de comer. Álcool em gel 70% pode ser utilizado quando água e sabão não forem viáveis.

Também é importante utilizar lenço descartável para higiene nasal, cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir, evitar tocar nas mucosas dos olhos, não compartilhar talheres, pratos, copos e garrafas, manter ambientes bem ventilados e evitar contato com animais selvagens e animais doentes em fazendas e criações.

Nancy enfatiza que medidas como chás e vitamina C não previnem nenhum tipo de virose respiratória, incluindo gripe e coronavírus.

"O uso de máscaras é necessário?"

Segundo a médica, para casos confirmados, o uso das máscaras em ambientes hospitalares é necessário, para evitar a contaminação de outros pacientes e profissionais da saúde.

Em casa, ela afirma que é importante não compartilhar objetos de uso pessoal e se manter distante de outros parentes.

Na China, o uso está sendo recomendado por todos pois a transmissão está sustentada e os hospitais estão sobrecarregados. O uso de máscara é para evitar, inclusive, a transmissão de outras doenças.

"Objetos comprados pela internet na China mesmo antes da epidemia podem estar contaminados?"

Não. Nancy afirma que, mesmo que uma pessoa doente tenha manuseado o objeto, o tempo de transporte impossibilitaria a transmissão via importação. Além disso, ela lembra que outras epidemias como essa já aconteceram e nunca foi notificado um caso de transmissão por objetos importados.

"É mais grave do que está sendo noticiado?"

Segundo a médica, é pouco provável que seja mais grave. Ela afirma que a presença da OMS no país [China] ajuda a garantir a credibilidade das informações e que nenhum caso fora da China chegou a óbito.

"Quais são os sintomas? Como diferenciar de outras doenças?"

Passageiros desembarcam em SP de voo vindo da China

Passageiros desembarcam em SP de voo vindo da China

FEPESIL/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Os sintomas são febre, tosse e dificuldade respiratória. A SBI afirma que algumas pessoas podem não apresentar sintoma nenhum ou ter um quadro semelhante a um resfriado. Casos graves podem acarretar em pneumonia e insuficiência respiratória.

Crianças de baixa idade, pessoas acima de 60 anos e pacientes com outras doenças que comprometem a imunidade são os mais suscetíveis a um ter um quadro mais grave.

Para ser considerado um caso suspeito no Brasil, é necessário que o paciente, além de apresentar febre e pelo menos um sintoma respiratório, tenha viajado à China nos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sintomas ou tenha tido contato próximo de um caso suspeito para coronavírus nesse período.

Pessoas que tenham tido contato próximo de caso confirmado de coronavírus não precisam apresentar febre e sintoma respiratório, apenas um dos sintomas já é suficiente para classificar como suspeito.  

A única forma de diferenciar de outras infecções respiratórias é com exame.

"Como é feito o diagnóstico?"

O diagnóstico é feito por exames laboratoriais realizados por biologia molecular, que identificam o material genético do vírus em secreções respiratórias.

"Existe tratamento? Tem cura?"

Não existe medicamento específico para o novo vírus. O tratamento é feito com repouso, ingestão de líquidos e contenção dos sintomas com analgésicos e antitérmicos.

Casos graves, com pneumonia e insuficiência respiratória são tratados com suplemento de oxigênio e ventilação mecânica.

Segundo um monitoramento feito pelo centro de ciência de sistemas da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, 143 casos já foram revertidos.

"Tem vacina contra esse coronavírus?"

Não, mas já está sendo desenvolvida e, segundo a equipe responsável, os testes devem começar dentro de 38 dias.

"Já chegou ao Brasil? Quantos casos foram confirmados do coronavírus no Brasil?"

Ainda não existe nenhum caso confirmado da doença no país. No momento são 9 casos suspeitos que aguardam confirmação laboratorial.

"Esse vírus é uma ameaça à vida no planeta?"

A SBI afirma que não há motivo para pânico, apesar de existir possibilidade de epidemia global. Segundo a OMS a situação é de muito alto risco na China e alto risco em nível regional e global. O último posicionamento da organização é de que é uma emergência internacional.

O presidente da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ressaltou que a organização "não recomenda e, na verdade, se opõe a qualquer restrição a viagens e negócios em relação à China".

A infectologista afirma que já tivemos epidemias muito mais graves, como o ebola, e diz acreditar que o novo coronavírus é uma ameaça apenas para idosos e pessoas com a saúde fragilizada.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Fernando Mellis

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