Saúde Ricardo Boechat se afasta do trabalho por depressão: "É como se a pessoa morresse ficando viva"

Ricardo Boechat se afasta do trabalho por depressão: "É como se a pessoa morresse ficando viva"

Jornalista passou 15 dias longe de seu programa de rádio e confidenciou problema ao público

  • Saúde | Do R7

Boechat conta que se afastou de programa de rádio por 15 dias, após passar mal em crise de depressão

Boechat conta que se afastou de programa de rádio por 15 dias, após passar mal em crise de depressão

Reprodução/Facebook

O apresentador Ricardo Boechat revelou que sofre de depressão. Ele afirmou nesta quinta-feira (27) na rádio BandNews FM e também escreveu um texto em seu Facebook relatando que se afastou na última quarta-feira (19) de seu programa, após ter tido um "surto depressivo agudo".

— Sofri um colapso, um apagão aqui no estúdio, nada na minha cabeça fazia sentido, nenhum texto era compreensível, os pensamentos não fechavam e uma pressão insuportável dava a nítida sensação de que meu peito iria explodir. Uma coisa horrorosa. Fiquei completamente desnorteado, e achei melhor me refugiar no camarim sem fazer o programa à espera de socorro médico.

Após ser levado ao encontro de um médico, o apresentador contou que o especialista "foi categórico ao dizer que era depressão".

— Ele disse que os sintomas eram clássicos de um surto depressivo. Quem cai num quadro desses, perde qualquer condição de ficar ativo, de ter pensamentos simples. É como se a pessoa morresse ficando viva.

O apresentador também confidenciou que os médicos responsáveis por seu tratamento afirmaram que ele "esticou a corda demais".

— Fiz mais coisas que deveria fazer, em menos tempo do que seria razoável, fui além do limite que meu corpo permitia. Para prevenir a doença, precisa ficar atento a indicadores de estresse da nossa vida. A fadiga é o inimigo comum, recuperar as forças passa a ser sinal de sobrevivência. Essa é a grande lição que eu aprendi.

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Boechat também afirmou que fez questão de contar a todos a sua doença, pois "esconder o problema e tratá-lo na clandestinidade dificulta o tratamento". Além disso, ele ressaltou que "ninguém pode achar que a depressão vai passar apenas por pensar coisas positivas". E, portanto, é necessário buscar ajuda.

— A depressão é muito mais que isso e muito mais séria. É uma aflição tão severa que restringe a capacidade de uma pessoa funcionar plenamente, um abismo mental tão profundo que ninguém pode achar que vai se safar apenas endireitando os ombros ou pensando coisas positivas. Não, minha gente, essa escuridão da mente e do estado de espírito é mais do que um simples desânimo. É um desequilíbrio da química cerebral, algo tão físico quanto uma fratura óssea, ou um tumor maligno.

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Diagnóstico de depressão

O diagnóstico da depressão é feito por meio da análise de sintomas físicos e psíquicos. Os sintomas físicos mais comuns são perda ou ganho de peso, dores inexplicáveis no corpo, principalmente dor de cabeça, dificuldade para realização de tarefas cotidianas e insônia ou sonolência em excesso. Já os sintomas psíquicos são: desânimo intenso, cansaço, apatia, falta de vontade de fazer suas tarefas, falta de prazer, de alegria, choro fácil, sentimento de culpa, temperamento explosivo e irritabilidade, segundo explicou em entrevista recente ao R7 o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria),

— É preciso deixar bem claro que só o médico pode fazer esse diagnóstico e, em algumas pessoas, ele pode apresentar outros sintomas. Não existe uma padronização ou uma lista para descobrir que o paciente está com depressão. Essa história de lista de sintomas é mais comum nos EUA, mas o diagnóstico é muito mais complexo do que isso.

No mundo, o número de pessoas que têm depressão ultrapassa os 350 milhões. No Brasil, cerca de 10% da população brasileira convive com esse mal e 15% terão a doença em algum momento da vida

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